Vivências de “grades afora”: rotinas e experiências disrupturas do trabalho prisional no Recife oitocentista

Autores

  • Aurélio de Moura Britto Doutor em História pela Universidade Federal de Pernambuco. Docente do curso de licenciatura plena em História das Faculdades Integradas da Vitória de Santo Antão (FAINTVISA) https://orcid.org/0000-0002-8762-1429

DOI:

https://doi.org/10.5007/1984-9222.2019.e66370

Palavras-chave:

Trabalho, Encarceramento, Casa de Detenção

Resumo

O propósito deste artigo é investigar as dinâmicas do trabalho prisional na Casa de Detenção do Recife durante o século XIX. Manuseando diversas fontes primárias, buscamos avançar para além da retórica dos gestores e dos regulamentos prisionais e enfatizar alguns aspectos do trabalho prisional como a possibilidade dos detentos transitarem fora do perímetro das instituições prisionais, quando da execução de algumas das suas atividades laborais. Não raro, essa modalidade de trabalho conferia aos presos uma vivência menos isolada do que se supunha e permitia uma experiência de “liberdade parcelar”. A observação dos presos em suas
andanças pela cidade permite dimensionar os fluxos que atravessavam e interligavam a sociedade recifense e o universo do encarceramento e sublinhar as inúmeras implicações dessa contiguidade para o cotidiano prisional. No que concerne ao recorte cronológico, nossa observação está circunscrita à gestão de Rufino de Almeida (1861-1875).

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Publicado

2019-10-22

Edição

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Artigos