“Serás Estropiado, Maltratado e Triturado na Amazônia”: trabalhadores cearenses na Campanha Nacional da Borracha, zona noroeste do Ceará (1942-1945)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1984-9222.2021.e75447

Palavras-chave:

Trabalhadores, SEMTA, Soldados da Borracha

Resumo

Apesar de os trabalhadores chamados de “Soldados da borracha” não terem participado propriamente das grandes construções de modernização econômica global, posto que atuaram no contexto da Segunda Guerra Mundial trabalhando nos seringais da Amazônia numa atividade quase que exclusivamente extrativa, merece atenção da análise histórica o processo de recrutamento, treinamento e as condições de vida e trabalho a que esses trabalhadores estiveram sujeitos durante a Campanha Nacional da Borracha, feito pelo Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia – SEMTA. Longe de casa, milhares de nordestinos seguiram para os seringais do norte do Brasil, buscando fugir da seca e do front da guerra, aliciados com promessas de ganho e riquezas. Este artigo procura evidenciar as trajetórias de vida desses homens, especialmente da região noroeste do estado do Ceará, ainda pouco mencionados na historiografia cearense, numa perspectiva da história social.

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Biografia do Autor

Carlos Augusto Pereira Santos, Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA)

Professor do Curso de História da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA)

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Publicado

2021-03-10

Como Citar

SANTOS, C. A. P. “Serás Estropiado, Maltratado e Triturado na Amazônia”: trabalhadores cearenses na Campanha Nacional da Borracha, zona noroeste do Ceará (1942-1945). Revista Mundos do Trabalho, Florianópolis, v. 13, p. 1-20, 2021. DOI: 10.5007/1984-9222.2021.e75447. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/mundosdotrabalho/article/view/75447. Acesso em: 27 out. 2021.

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Artigos