Discursos sobre a leitura: entre a unidade e a pluralidade

Autores

  • Cláudia Lemos Vóvio Universidade Federal de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-795X.2010v28n2p401

Palavras-chave:

Letramento, Práticas de leitura, Formação leitora

Resumo

Este artigo discorre sobre enfoques acerca da leitura que atravessam e constituem discursos correntes sobre essa prática social e seus significados, portanto influentes nos modos como se focalizam objetos e nas análises tecidas em pesquisas sobre letramentos (STREET, 1984; KLEIMAN, 1995; BARTON; HAMILTON; IVANIC 2000; GEE, 2000, 2004). A matriz epistemológica assumida compreende a leitura como prática cultural produzida nas/pelas relações entre grupos humanos, em tempos e espaços sociais específicos, sendo, portanto, variável. Como tal, é perpassada por fenômenos que trazem em seu bojo a necessidade da leitura como prática cultural desejável: o da legitimidade (de crenças coletivas que edificaram a leitura como prática necessária) e o da desigualdade, que diz respeito à distribuição de oportunidades de acesso, à difusão de práticas, competências e objetos (LAHIRE, 2002, 2006). Abordar tais discursos correntes e os enfoques a eles correspondentes permite, por um lado, compreender em que bases os discursos da tradição e do cânone foram produzidos e converteram-se em divisores de águas
capazes de distinguir grupos e pessoas, de definir o que conta, o que tem valor, de escalonar e classificar leitores e leituras e, de outro, organizar planos a partir dos quais se pode examinar as práticas de leitura, os sentidos e significados atribuídos a esse fazer e os artefatos culturais acessados pelos sujeitos envolvidos.

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Publicado

2010-07-14