Memórias contra-hegemônicas e educação para as relações étnico-raciais: práticas decoloniais em contextos periféricos

Claudia Miranda, Helena Maria Marques Araújo

Resumo


Nossa perspectiva investigativa está influenciada pela possibilidade de análises dialéticas no plano da simultaneidade, e este trabalho parte de uma abordagem que reconhece coexistência epistemológica frente ao tema da história social, política e cultural de setores marginalizados como as populações afrodescendentes no Brasil e no Equador. Alinhadas ao pressuposto da decolonialidade do saber e da Educação para as relações étnico-raciais, tratamos das outras práxis educativas em contextos não formais de educação, dessa vez a partir do Museu da Maré e do Fundo Documental Afro-andino. Ganham centralidade processos de reorientação epistemológica, como legados para os currículos praticados em contextos de invisibilização dos conhecimentos subalternizados. Defendemos outros “giros” e outras percepções sobre memória coletiva com base em uma perspectiva comparada, além de reconhecer a produção realizada como um modo outro de fazer da(s) memória(s), uma peça indispensável na luta social e política, assumindo contranarrativas e outras formas de insurgir.


Palavras-chave


Etnoeducação; Memórias contra-hegemônicas; Educação para as relações étnico-raciais; Museu da Maré; Fundo Documental Afro-andino

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PDFA

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DOI: https://doi.org/10.5007/2175-795X.2019.e58787



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Perspectiva, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. ISSN print 0102-5473, ISSN 2175-795X.

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