Helena, tecelã de ardis na Odisseia

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1806-9584-2026v34n1105388

Palavras-chave:

Helena, Tecitura, Homero, Odisseia, Hospitalidade

Resumo

Helena, a mulher sempre perseguida, mas nunca capturada. O presente artigo aborda as figurações de Helena na épica homérica, principalmente no canto IV da Odisseia, explorando a relação dessa e outras personagens femininas com a tecitura e com o canto na Grécia antiga. A linguagem feminina aparece sob o signo da ambivalência e da dubiedade nessa sociedade. Na linha da caracterização da própria Helena, certa duplicidade se faz notar também nas produções das suas mãos, na medida em que acolhem e afugentam, comemoram e obliteram, numa evocação da ambiguidade inerente ao ato de tecer na poesia homérica. Com base em análises filológicas, sugere-se que a tecitura permite às personagens femininas estabelecer conexões sociais e meios de preservação da sua memória.

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Biografia do Autor

Sara Anjos, Universidade Federal de Minas Gerais

Possui Mestrado e Graduação em Letras Clássicas pela Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atuou como estagiária no projeto de extensão Contos de Mitologia (FALE). Traduziu e publicou O Livro dos Prodígios, de Júlio Obsequente. Possui artigos publicados nas áreas de Recepção Clássica, Filosofia Antiga e Estudos Feministas.

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Publicado

2026-04-28

Como Citar

Anjos, S. (2026). Helena, tecelã de ardis na Odisseia. Revista Estudos Feministas, 34(1). https://doi.org/10.1590/1806-9584-2026v34n1105388

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