A tradução como um espaço alternativo para ação política

Cristiane Roscoe-Bessa, Flavia Lamberti, Janaína Araújo Rodrigues

Resumo


Este artigo examina a gênese, a dinâmica e o posicionamento de grupos ativistas de tradutores e intérpretes envolvidos em diversas formas de ação coletiva.O ativismo desses grupos é distinto pelo fato de eles usarem suas habilidades linguísticas para ampliar o espaço narrativo e dar poder às vozes invisibilizadas pelo poder global do inglês e da política das línguas. Eles ainda reconhecem que a língua e a tradução constituem um espaço de resistência, um meio de inverter a ordem simbólica.O uso de linguagem híbrida, a depreciação deliberada do inglês, o constante rearranjo da ordem e do espaço atribuídos às diferentes línguas em seus websites ˗ todas essas atividades fazem parte tanto de pautas políticas quanto da mediação linguística de textos e enunciados produzidos por terceiros, na qualidade de tradutores e intérpretes.O artigo analisa o posicionamento desses grupos em face do que Tarrow (2006, p.16) denomina “a nova geração de ativistas pela justiça mundial”, por um lado, e tradutores e intérpretes profissionais, por outro, e argumenta que eles ocupam um espaço "intermediário" entre o mundo do ativismo e a economia de serviços.


Palavras-chave


Tradução; Interpretação; Narrativa; Ação coletiva; Movimentos globais de justiça; Prefiguração

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DOI: https://doi.org/10.5007/2175-7968.2018v38n2p339



Cadernos de Tradução, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. ISSN 2175-7968.