O tempo não para A desinstitucionalização em tempos de pandemia

Conteúdo do artigo principal

Telma Melo
https://orcid.org/0000-0001-5134-7117
Marcela Lucena
https://orcid.org/0000-0001-5416-2863
Catarina Albertim
https://orcid.org/0000-0003-4271-950X
Nelma Melo
https://orcid.org/0000-0003-2145-9892

Resumo

Esse artigo sistematiza elementos dos processos de desinstitucionalização ocorridos no período de junho a dezembro de 2020, quando houve a primeira onda da pandemia do novo Coronavírus. A construção ocorreu a partir de um espaço de trocas de saberes constituído pelas autoras para lidar com antigos e novos dilemas e desafios cotidianos vivenciados no primeiro momento da pandemia, sempre realizando o necessário debate em torno dos princípios da desinstitucionalização e da reabilitação psicossocial. As reflexões realizadas foram categorizadas em quatro situações-disparadoras: a restrição da circulação pela cidade, o luto pelas vidas perdidas para o vírus, o uso de substâncias psicoativas e a desospitalização em tempos de pandemia. Tais reflexões sinalizaram para o fato de que independente das circunstâncias, a coerência desse processo se dá nas relações estabelecidas entre quem cuida e quem é cuidado. A primazia da contratualidade e do respeito às pessoas, no sentido de que as mesmas protagonizem a própria vida, retrata que o cuidado que protege precisa estar ligado ao cuidado que produz emancipação. Os pontos abordados foram nos revelando e/ou reafirmando que quando a preservação da vida impõe restrições, a proximidade, a negociação, a informação e o decidir junto são elementos essenciais para superação das dificuldades.

Detalhes do artigo

Como Citar
MARIA ALBUQUERQUE GONÇALVES DE MELO, . .; ADRIANA DA SILVA LUCENA, .; NASCIMENTO DE ALBERTIM, .; MARIA GONÇALVES DE MELO, . O tempo não para: A desinstitucionalização em tempos de pandemia. Cadernos Brasileiros de Saúde Mental/Brazilian Journal of Mental Health, [S. l.], v. 14, n. 39, p. 26–40, 2022. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/cbsm/article/view/80301. Acesso em: 3 dez. 2022.
Seção
Política de Saúde Mental no Brasil e Atenção Psicossocial
Biografia do Autor

Telma Melo, CpAM/Fiocruz-PE

Psicóloga (FAFIRE), Especialista em Psiquiatria Social (ENSP/Fiocrus-RJ), Residência em Saúde Coletiva (CpAM/Fiocruz-PE), mestre em saúde pública (CpAM/Fiocruz-PE), doutora em psicologia (UFPE). Atualmente é Coordenadora do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde Coletiva com Ênfase em Gestão de Redes (Escola de Governo de Saúde Pública de Pernambuco- ESPPE).

Marcela Lucena, UFPE

Doutora em psicologia pela UFPE. Professora substituta da Universidade Federal de Pernambuco e Docente da Faculdade Frassinetti do Recife. 

Catarina Albertim, UFPE

Terapeuta Ocupacional (UFPE), especialista em saúde mental (UPE) e mestre em Psicologia e Saúde Mental (UPE). Atualmente trabalha na RAPS - Recife e no Hospital Barão de Lucena (Secretaria de Saúde de Pernambuco).

Nelma Melo, RAPS Recife e Secretaria de Saúde de Pernambuco

Psicóloga (UFPE) e Sanitarista (CpAM/Fiocruz-PE). Especialista em Psiquiatria Social (ENSP/Fiocruz-RJ). Atualmente trabalha na RAPS - Recife e no Hospital Agamenon Magalhães (Secretaria de Saúde de Pernambuco).

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