Corpo dataficado: autorrastreamento na cultura digital
DOI:
https://doi.org/10.5007/1518-2924.2025.e106471Palabras clave:
Autorrastreamento, Tecnologias vestíveis, Dataficação, Plataformas Digitais, QuantificaçãoResumen
Objetivo: Este trabalho discute a produção de dados digitais a partir do autorrastreamento (self-tracking) na cultura digital contemporânea, abordando suas implicações éticas, socioculturais e econômicas. O objetivo é apresentar as práticas de autorrastreamento mediadas por tecnologias vestíveis e plataformas digitais como transformadoras das experiências corporais para além de dados quantificáveis, problematizando questões como privacidade, segurança e propriedade de informações.
Método: Ensaio teórico que mobiliza conceitos interdisciplinares a partir de autores como Deborah Lupton, José Van Dijck e Shoshana Zuboff, entre outros e articula reflexões críticas sobre a economia de dados e seus impactos na subjetividade. O DeepSeek Chat foi utilizado para revisão linguística de trechos selecionados e tradução do resumo, preservando integralmente a autoria intelectual do pesquisador.
Resultados: O autorrastreamento amplia a autoconsciência, mas também alimenta um modelo de negócio baseado na exploração de (bio)dados sensíveis, com riscos à privacidade e autonomia dos usuários. Destaca-se a necessidade de regulação das plataformas e de maior conscientização sobre os seus termos de uso, visando equilibrar benefícios e direitos digitais.
Conclusão: A crítica à dataficação do corpo é urgente e indispensável para desnaturalizar relações assimétricas de poder no ambiente digital.
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