Trabalhadores, sindicatos e lutas por direitos na Bahia no final da Segunda Guerra Mundial

Autores

  • Edinaldo Antonio Oliveira Souza Universidade do Estado da Bahia (UNEB)

DOI:

https://doi.org/10.5007/1984-9222.2019.e66826

Palavras-chave:

Trabalhadores, Segunda Guerra, Cidadania

Resumo

A conjuntura do final da Segunda Guerra Mundial e o processo de democratização no Brasil redimensionaram as perspectivas de participação política e social da classe trabalhadora, após o impacto da escalada repressora que se abateu sobre suas lideranças e organizações, durante a maior parte do Estado Novo. Foi também um contexto de aproximação entre os trabalhadores, o discurso e os organismos jurídicos e administrativos trabalhistas, sobretudo as Delegacias Regionais do Trabalho (DRTs), a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a Justiça do Trabalho e a estrutura sindical corporativista. Nesse contexto, comunistas, trabalhistas e outras correntes sindicais tanto atuaram conjuntamente, quanto disputaram posições na organização e nas ações reivindicatórias dos trabalhadores. Este artigo analisa as formas como as lideranças sindicais e setores do operariado baiano recepcionaram os discursos do “esforço de guerra”, do queremismo/trabalhismo e da União Nacional [1], procurando apreender as demandas, expectativas e formas de mobilização de sindicalistas e parcelas da classe trabalhadora baiana na luta por direitos, no contexto da redemocratização.

[1] Linha de ação política preconizada pelo PCB a partir da Conferência da Mantiqueira, realizada em agosto de 1943, que se desdobrou no apoio dos comunistas ao esforço de guerra, na defesa da Constituinte com Getúlio e na adesão ao “queremismo”.

Biografia do Autor

Edinaldo Antonio Oliveira Souza, Universidade do Estado da Bahia (UNEB)

Doutor em História Social pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Professor Assistente da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). 

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Publicado

2019-12-17

Edição

Seção

Dossiê 2019.1 - "Trabalhadores e Segunda Guerra Mundial"