Identidade negra, educação e práticas de resistência: uma leitura decolonial num quilombo urbano

Mirianne Santos de Almeida, Ilka Miglio de Mesquita

Resumo


A partir das lentes do Pensamento Decolonial e do fazer etnográfico num lócus subalterno, palco de luta e resistência – o quilombo urbano ‘Maloca’, localizado na capital sergipana – analisamos as ações desenvolvidas no Projeto Criliber (Criança – Liberdade), voltadas à formação da identidade da criança negra. O nosso objetivo foi traçado no sentido de compreender a atuação de um grupo historicamente marginalizado e o enfrentamento do racismo. O Referencial teórico está pautado em Homi Bhabha (1998), Stuart Hall (2003) e Catharine Walsh (2013) que problematizam a manutenção dos resquícios da colonização e reconhecem, na articulação de grupos marginalizados, diferentes possibilidades de descortinar a colonialidade. Na tentativa de se libertar das amarras da colonização, as ações da Criliber têm reverberado para o fortalecimento do sentimento de pertencimento e autoafirmação da identidade negra.


Palavras-chave


Identidade; Práticas educativas; Educação quilombola

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DOI: https://doi.org/10.5007/2175-795X.2019.e52939



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Perspectiva, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. ISSN print 0102-5473, ISSN 2175-795X.

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