Margens e memórias: os ribeirinhos do rio Doce e os desafios territoriais em Governador Valadares
DOI:
https://doi.org/10.5007/1807-1384.2025.e107713Palavras-chave:
rio doce, ribeirinhos urbanos, relações socioecológicas, memória, riscosResumo
O artigo analisa as relações socioecológicas entre o rio Doce e as comunidades ribeirinhas urbanas de Governador Valadares. Destaca-se as perspectivas histórica, econômica, cultural e política do rio na constituição do território e das identidades locais. A investigação se apoia em três perspectivas interligadas: o rio como recurso, como sagrado e como risco. Além de ser essencial para a subsistência e a memória cultural dessas comunidades, o rio também evoca vulnerabilidades, especialmente frente às enchentes sazonais e ao desastre da barragem de rejeitos de mineração da Samarco em 2015, que impôs profundos impactos socioambientais. Discute-se ainda os desafios relacionados à urbanização e à mineração, e como esses processos afetam a qualidade de vida e a permanência territorial dos ribeirinhos. Em suma, a realidade dos ribeirinhos de Governador Valadares reflete um território vivido, onde a perspectiva econômica, que vê o rio como recurso, convive e tenciona com a dimensão cultural, que o concebe como sagrado, e são atravessadas pela dimensão política do risco, que estrutura vulnerabilidades.
Palavras-chave rio Doce; ribeirinhos urbanos; relações socioecológicas; memória; riscos
Referências
ACSELRAD, H.; MELLO, C. C. A.; BEZERRA, G. N. O que é justiça ambiental. São Paulo: Garamond, 2009.
ACSELRAD, Henri. Ambientalização das lutas sociais: o caso do movimento por justiça ambiental. Estudos Avançados, São Paulo, v. 24, n. 69, p. 207–221, maio 2010. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ea/a/hSdks4fkGYGb4fDVhmb6yxk. Acesso em: 25 jun. 2025.
ALMEIDA, Maria Fernanda Brito de. Matas ciliares da bacia do rio Doce: impactos do rompimento da barragem de Fundão. Governador Valadares; Univale Editora, 2021.
ANA (Agência Nacional de Águas). Encarte Especial sobre a Bacia do Rio Doce – Rompimento da Barragem em Mariana/MG, 22 mar. 2016.
BECK, Ulrich. Sociedade de risco: rumo a uma outra modernidade. São Paulo: Editora 34, 2011.
CAPILÉ, Bruno. Muito mais do que doce: as relações socioecológicas como formas de resistência/resiliência no rio Doce, Governador Valadares (MG), Brasil. Coordenadas. Revista de Historia Local y Regional, v. 10, n. 2, 2023.
CASTRO, Marcelo Ferreira. Análise de estudos sobre o colapso da Barragem de Fundão - 2015. Orientador: Prof. Dr. Hernani Mota Lima. Monografia (Bacharelado). Universidade Federal de Ouro Preto. Escola de Minas. Graduação em Engenharia de Minas Gerais – Ouro Preto, MG 2021.
CBH-DOCE. Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Doce. Plano Integrado de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do Rio Doce e Planos de Ações para as Unidades de Planejamento e Gestão de Recursos Hídricos no Âmbito da Bacia do Rio Doce. Vol. I, 2010 – 472p. Disponível em: http://www.cbhdoce.org.br//wp-content/uploads/2016/12/PIRH_Doce_Volume_I.pdf. Acesso em: 29 jun.2025.
CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: artes de fazer. Petrópolis: Vozes, 1998.
CHAVES, Diogo Marçal; ASSIS, Clara B. Rodrigues; FURBINO, Sheila A. Ribeiro; Impactos das enchentes do rio Doce em Governador Valadares no período de 2013 a 2022. Revista Científica FACS, Governador Valadares, v. 23, n. 2, p, 42-52, 2023. Disponível em: https://periodicos.univale.br/index.php/revcientfacs/article/view/609. Acesso em: 9 jun. 2025
COUTINHO, Elenice Aparecida. A produção de desastres da mineração em Minas Gerais: a barragem de Fundão e a contaminação de paisagens. Tese (doutorado) Universidade Federal do rio Grande do Sul, Faculdade de Ciências Econômicas, Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Rural, Porto Alegre, RS – 2022.
ESPINDOLA, Haruf Salmen. Elementos biológicos na configuração do território do rio Doce. Varia Historia, Belo Horizonte, v. 24, n. 39: p.177-197, jan/jun. 2008.
FREITAS, Rafael Alves de. Resenha: Paisagens do Medo. Revista Amazônica sobre Ensino de Geografia, [S. l.], v. 3, n. 2, 2022. Disponível em: https://raseng.com/index.php/raseng/article/view/84. Acesso em: 9 jun. 2025.
GOMES, Rogério Santos Daflon. Ribeirinhos urbanos: uma vida à margem do direito à moradia. Orientadora: Luciana Corrêa do Lago. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional. RJ – 2017.
HAESBAERT, Rogério. O mito da desterritorialização: do “fim dos territórios” à multiterritorialidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004.
INPA - Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia. Inclusão de ecossistemas de água doce no planejamento da conservação duplica efeitos benéficos sobre a biodiversidade aquática. Notícia. Manaus, 2020. Disponível em: https://www.gov.br/inpa/pt-br/assuntos/noticias/inclusao-de-ecossistemas-de-agua-doce-no-planejamento-da-conservacao-duplica-efeitos-beneficos-sobre-a-biodiversidade-aquatica. Acesso em: 11 jun. 2025.
JACOBI, Pedro Roberto; FRANCALANZA, Ana Paula. Comitês de bacias hidrográficas no Brasil: desafios de fortalecimento da gestão compartilhada e participativa. Desenvolvimento e Meio Ambiente, [S. l.], v. 11, 2005. DOI: 10.5380/dma.v11i0.7816. https://revistas.ufpr.br/made/article/view/7816. Acesso em: 16 jun. 2025.
JASSO, Gerardo Morales. La apropiación de la naturaleza como recurso. Una mirada reflexiva. Gestión y ambiente, v. 19, n. 1, p. 141-154, 2016.
KOPENAWA, Davi; ALBERT, Bruce. A queda do céu: palavras de um xamã yanomami. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Cia. das Letras, 2019.
LIRA, Talita de Melo; CHAVES, Maria do P. S. R. Comunidades ribeirinhas na Amazônia: organização sociocultural e política. Interações, Campo Grande, v. 17, n. 1, p. 66-76, jan./mar., 2016.
LEFEBVRE, Henri. A produção do espaço. Trad. Doralice Barros Pereira e Sérgio Martins (do original: La Production de l’espace. 4. ed. Paris: Éditions Anthropos, 2000.
MUNDURUKU, Daniel. A sabedoria das árvores. São Paulo: Selo Negro, 2013.
NEIVA, Janaina Aparecida de Freitas. Águas do rio Doce: diagnóstico de suas condições e os impactos decorrentes do desastre de Mariana-MG. Orientador: Alecir Antônio Maciel Moreira. Dissertação (Mestrado) – Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - Programa de Pós-Graduação em Geografia – Tratamento da Informação Espacial. Belo Horizonte, 2018.
NORA, Pierre. Entre Memória e História: a problemática dos lugares. Projeto História, São Paulo, n. 10, p. 7-28, 1993.
PARANAÍBA, Guilherme. Governador Valadares interrompe captação de água por conta da lama no Rio Doce. Jornal Estado de Minas, Belo Horizonte, MG, 09 nov., 2015. Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2015/11/09/interna_gerais,705897/governador-valadares-interrompe-captacao-de-agua-por-conta-da-lama-no.shtml. Acesso em 28/06/2025.
PASSOS, Flora Lopes.; COELHO, Polyana.; DIAS, Adelaide. (Des)territórios da mineração: planejamento territorial a partir do rompimento em Mariana, MG. Cadernos Metrópole, [S. l.], v. 19, n. 38, p. 269–297, 2017. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/metropole/article/view/2236-9996.2017-3811. Acesso em: 12 abril. 2025.
PORTO-GONÇALVES, Carlos Walter. A globalização da natureza e a natureza da globalização. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006.
SANTOS, João Pedro, e MACEDO, Diego Rodrigues. Influências da composição e estrutura da paisagem sobre a qualidade da água em múltiplas extensões temporais e espaciais na unidade hidrológica do rio Doce em Minas Gerais. Revista Espinhaço, v. 13, n. 1, p. 1-23, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.5281/zenodo.10433182. Acesso em 25 jun. 2025.
SANTOS, Milton. A Natureza do Espaço: Técnica e Tempo, Razão e Emoção. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2006.
SILVEIRA, Mozart. SOUZA, M. L. Ambientes e territórios: uma introdução à ecologia política. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2019. 350 p. Novos Cadernos NAEA, [S.l.], v. 26, n. 1, abr. 2023. Disponível em: https://periodicos.ufpa.br/index.php/ncn/article/view/12722. Acesso em 20 abr. 2025.
SWYNGEDOUW, Erik. A cidade como um híbrido: natureza, sociedade, e urbanização-cyborg. In: ACSELRAD, Henri. A duração das cidades: sustentabilidade e risco nas políticas urbanas. DP&A Editora, 2001.
TUAN, Yi-Fu. Espaço e lugar: a perspectiva da experiência. São Paulo: Difel, 1983.
TUAN, Yi-Fu. Paisagens do medo. Tradução de Lívia de Oliveira. São Paulo: Editora UNESP, 2005.
TUAN, Yi-Fu. Topofilia: um estudo da percepção, atitudes e valores do meio ambiente. Londrina: Eduel, 2012.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Edilson Faria Lima, Patrícia Falco Genovez, Bruno Rangel Capilé de Souza

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
Autores e autoras mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons - Atribuição 4.0 Internacional que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online após a sua publicação (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) já que isso pode aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).