Reexistir nas ruínas: acessibilidade, lodo tóxico e justiça ambiental em Governador Valadares (MG)
DOI:
https://doi.org/10.5007/1807-1384.2025.e107869Palavras-chave:
Desastre ambiental, Deficiência, Justiça ambiental, Tecnologia social, ReexistênciaResumo
Este artigo analisa a relação entre desastre ambiental, exclusão social e reexistência a partir do rompimento da Barragem de Fundão (Mariana/MG) e seus efeitos em Governador Valadares (MG). A partir de uma abordagem interdisciplinar e decolonial, apresenta-se uma proposta de tecnologia social desenvolvida localmente: o uso do lodo contaminado da Estação de Tratamento de Água (ETA) para a pavimentação com critérios de acessibilidade no campus da Universidade Vale do Rio Doce (UNIVALE), voltada a pessoas com deficiência. A metodologia adotada combinou pesquisa documental, levantamento demográfico e ensaios laboratoriais de caracterização técnica do lodo. Os resultados indicam que, mesmo sem a execução da obra-piloto, a articulação entre gestão de riscos e reaproveitamento de rejeitos revela-se uma estratégia simbólica e política de justiça ambiental. Em um cenário de ausência estatal, a proposta representa um gesto de resistência territorial fundamentado em solidariedade, inclusão e inovação comunitária, oferecendo subsídios para futuras práticas de reconstrução sustentável e acessível.
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