Os Monocultivos florestais no Cone Sul e as consequências socioambientais
DOI:
https://doi.org/10.5007/1807-1384.2025.e108187Palavras-chave:
História Ambiental, Pinus spp, Monocultivo, Brasil, ArgentinaResumo
Este artigo tem como objetivo analisar, sob a perspectiva da História Ambiental e por meio de uma abordagem comparativa, a introdução do monocultivo de espécies florestais de rápido crescimento, especialmente Pinus spp, na província de Misiones, na Argentina, e no estado de Santa Catarina, no Brasil. A pesquisa utiliza como fontes a legislação provincial e nacional da Argentina, além da publicação Misiones Forestal e Industrial, de 1983. Para o caso brasileiro, foram analisadas as legislações estaduais e federais que nortearam e incentivaram a expansão do cultivo de espécies exóticas, permitindo compreender os impactos socioambientais gerados por esse modelo florestal. A análise demonstra que, tanto em Santa Catarina quanto em Misiones, a expansão dos monocultivos de Pinus spp, foi impulsionada por políticas estatais, que associavam essa prática ao progresso econômico, sem considerar adequadamente os efeitos sociais envolvidos, assim como ambientais, como a fragmentação de ecossistemas e as alterações no uso da terra.
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