As verdades em Foucault e Benjamin: uma contribuição ao campo da memória social
DOI:
https://doi.org/10.5007/1807-1384.2017v14n1p41Resumo
A proposta deste artigo é analisar como o conceito de verdade é conceituado nos pensamentos de Foucault e Benjamin, destacando a crítica que ambos fazem aos referenciais platônicos. Destacaremos que, em suas teorias, o conceito de verdade deixa de atrelar-se à ideia de essência, passando a adquirir um caráter histórico e contingencial. Ademais, veremos que a verdade é concebida como uma produção e jamais como algo que se encontra escondido desde o princípio e que deve ser devidamente descoberto. Em Foucault, nos centramos nas mais diversas articulações que o conceito de verdade possui com os domínios do poder e do saber. Já de Benjamin, ressaltamos o quanto que o autor valoriza as múltiplas ressignificações que um acontecimento pode sofrer ao longo dos tempos. Portanto, examinamos o quanto Benjamin se distancia da ideia de verdade absoluta, optando por valorizar as mais diversas constelações de verdades e conhecimentos construídos a serem sempre reinterpretados e jamais cristalizados. Por fim, analisamos como nosso estudo pode contribuir para o campo de pesquisas em memória social, na medida em que este pode ser caracterizado como um domínio transdisciplinar que encara o seu objeto de estudo como algo processual.
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