Considerações sobre a constituição da ciência psicológica e suas implicações para a subjetividade na contemporaneidade
DOI:
https://doi.org/10.5007/1807-1384.2017v14n1p60Resumo
O presente artigo tem por objetivo percorrer historicamente o caminho de consolidação da Psicologia Científica. Partindo da sistemática cartesiana, em momento de inauguração da Idade Moderna, observa-se a instauração das normativas modernas que, mais tarde, foram radicalizadas pelas ciências, inclusive pela Psicologia, estabelecendo um caráter disciplinador em suas práxis. Ao longo do texto, é debatido o problema da objetividade científica para a operacionalização da ciência psicológica, e suas implicações ético-políticas, buscando compreender a maneira pela qual a Psicologia delineou a subjetividade em função de seu anseio por legitimidade científica e as implicações desta tendência na subjetividade contemporânea. Como resultado, a contemporaneidade revela uma ciência psicológica ainda circunscrita em um projeto científico defasado, que restringe suas possibilidades de intervenção à materialidade de práticas e resultados, e faz com que o objeto a ser investigado se torne produto desta mesma ciência.
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