Resiliência e reconhecimento em neocomunidades: o caso da comunidade quilombola morro de São João (TO)

Alex Pizzio da Silva, Elaine Aparecida Toricelli Cleto

Resumo


http://dx.doi.org/10.5007/1807-1384.2016v13n3p1

O cenário atual, caracterizado pelas transformações sociais e econômicas impostas pela globalização, tem produzido novos condicionamentos sociais, impactando diretamente as comunidades tradicionais e ampliando a vulnerabilidade. Cada comunidade apresenta maior ou menor capacidade de superação das adversidades. Aquelas que conseguem superá-las e ainda e se fortalecerem são consideradas pelos estudiosos como resilientes. O objetivo deste artigo é apresentar o resultado de uma investigação realizada na comunidade quilombola Morro de São João, no Estado do Tocantins, em que se analisaram sua capacidade de resiliência e os fatores que possibilitam essa condição. A pesquisa desenvolvida possui natureza quanti-qualitativa e foi realizada por meio de um estudo de caso, utilizando como técnicas de coleta de dados a entrevista não estruturada, a observação participante, pesquisa documental, questionário e história de vida, que ocorreram durante as viagens ao campo, ocasião que permitiu também a participação nas cerimônias e nos festejos da comunidade. Os principais conceitos utilizados na análise teórica foram resiliência, neocomunidades, reconhecimento e cultura como recurso. A análise demonstrou que a comunidade possui capacidade de superação das adversidades, e o reconhecimento da identidade cultural constitui um fator de promoção da resiliência.


Palavras-chave


Resiliência; Neocomunidades; Quilombola; Reconhecimento; Cultura como Recurso

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DOI: https://doi.org/10.5007/1807-1384.2016v13n3p1

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