Política, esfera pública e novas etnicidades

Sérgio Costa

Resumo


O discurso da mestiçagem, no interior do qual se consolida a imagem da nação tolerante, capaz de assimilar todas as reivindicações de reconhecimento das particularidades e diferenças culturais, prevaleceu durante muitas décadas como forma hegemônica de auto-representação do Brasil. Contudo, recentemente, um leque variado de atores sociais (quilombolas, Movimento Negro Unificado, organizações indígenas) vem colocando em xeque tal discurso, denunciando as injustiças históricas e a continuada discriminação de que são vítimas. A relação desses atores com a política e o espaço público nacionais é ambivalente. De um lado, dependem da política doméstica como contexto de articulação de suas diferenças e de luta pela concretização de suas reivindicações. Ao mesmo tempo, a construção de sua identidade de protesto implica denunciar a nação que os concedeu um lugar subalterno e buscar alianças transnacionais que respaldem suas iniciativas. O paper discute, de forma genérica, tais movimentos, aprofundando-se no estudo das novas mobilizações da população afro-descendente. O objetivo é mostrar como as conquistas políticas alcançadas nesse âmbito (implementação de medidas compensatórias, reconhecimento cultural) só podem ser adequadamente entendidas quando se leva em conta a relação de interdependência entre as a inserção de tais atores no espaço público nacional e seus vínculos com redes políticas transnacionais.

Palavras-chave


Novas etnicidades; Redes políticas transnacionais; Anti-racismo no Brasil; New ethnicities; Transnational networks; Anti-racism in Brazil

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PDFA


DOI: https://doi.org/10.5007/%25x

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