Hierarquias na pesquisa social latino-americana: reflexões sobre a prática

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1806-9584-2026v34n288054

Palavras-chave:

horizontalidade, indígenas mulheres, metodologias feministas

Resumo

Neste artigo, propomos reflexões a partir de nosso lugar de enunciação enquanto pesquisadoras brancas e mulheres cisgênero, que investigam temas relacionados às indígenas mulheres da América Latina. Com base na revisão bibliográfica e na reflexão sobre a prática, propomos uma discussão acerca das relações hierárquicas presentes no processo de investigação acadêmica, principalmente com grupos subalternizados histórico, social e politicamente. Fundamentamo-nos na perspectiva genealógica do conceito de horizontalidade e nas metodologias feministas da América Latina, a fim de tensionar as hierarquias com base em nossas experiências de pesquisa. Concluímos que, ao tomarmos nossas práticas como objeto de estudo, contribuímos para a construção de condições epistêmicas que possibilitam a indagação de pressupostos legitimados.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Larissa Cristina de Sousa Ferro, Universidade de Brasília

É graduada em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB) (2015). Possui Mestrado em Estudos Comparados sobre as Américas pela UnB (2019). Doutora em Estudos Comparados sobre as Américas pela Universidade de Brasília. Pesquisadora do Grupo de Estudos Interdisciplinares sobre Gênero (GREIG - ELA UnB). Pesquisadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Movimentos Indígenas, Políticas Indigenistas e Indigenismo (LAEPI).

Elizabeth del Socorro Ruano-Ibarra , Universidade de Brasília

É doutora em Ciências Sociais. Docente Permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais - Estudos Comparados sobre as Américas (PPG/ECsA/UnB). Pesquisadora do Grupo de Estudos Interdisciplinares de Gênero (GREIG). Pesquisadora do Grupo de Investigación Interdisciplinar en Ciencias Humanas (GIICHS) da Corporación Universitaria Autónoma del Cauca (Popayán, Colômbia).

Referências

ALVES, Lidiane. Reivindicando o território epistêmico: mulheres negras, indígenas e quilombolas interpelando a Antropologia. Revista Humanidades e Inovação, Goiás, v.6, n. 16, p. 83 -96, nov 2019.

BLÁZQUEZ, Gustavo. Metodologías horizontales y conocimientos excitados. III. Transdisciplina: el objeto impugna al método. In: CORNEJO, Inés; RUFER, Mario. Horizontalidad: hacia una crítica de la metodología. Buenos Aires: CLACSO, 2020. p. 251-276.

BRIONES, Claudia. La horizontalidad como horizonte de trabajo. In: CORNEJO, Inés; RUFER, Mario. Horizontalidad: hacia una crítica de la metodología. Buenos Aires: CLACSO, 2020. p. 59-92.

CASTRO, Cláudio Moura. Memórias de um orientador de teses. In: NUNES, Edson de Oliveira (org.). A aventura sociológica: Objetividade, paixão, improviso e método na pesquisa social. Rio de Janeiro: Zahar, 1978. p. 307-326.

CELLARD, André. A análise documental. In: POUPART, Jean et. al. A Pesquisa Qualitativa: Enfoques epistemológicos e metodológicos, tradução de Ana Cristina Nasser. Petrópolos: Vozes, 2008. p. 295-316.

CORONA BERKIN, Sarah; KALTMEIER, Olaf. Introducción. In: CORONA, Sarah; KALTIMEIER, Olaf: Diálogo: metodologías horizontales en ciencias sociales y culturales, Barcelona: Gedisa. 2012, p. 11-21.

CORNEJO, Inés. Politizar la escucha. Genealogía metódica desde América Latina. II. Historización metódica: entre la vigencia y la actualidad latinoamericana. In: CORNEJO, Inés; RUFER, Mario. Horizontalidad: hacia una crítica de la metodología. Buenos Aires: CLACSO, 2020. p. 203-230.

CURIEL, Ochy. Construyendo metodologias feministas desde el feminismo decolonial. In: MENDIA AZKUE, Irantzu; LUXÁN, Marta; LEGARRETA, Matxalen; GUZMÁN, Gloria; ZIRION, Iker; AZPIAZU CARBALLO, Jokin. Otras formas de (re)conocer. Reflexiones, herramientas y aplicaciones desde la investigación feminista, Bilbao: UPV/EHU, 2014, p. 45 -60.

DAIXUM, Mariana. Ano novo e desmonte: ciência brasileira sofrerá ainda mais cortes orçamentários em 2021 [online]. 2021. Disponível em https://anovademocracia.com.br/noticias/14956-ano-novo-e-desmonte-ciencia-brasileira-sofrera-ainda-mais-cortes-orcamentarios-em-2021 Acesso em 24 mai. 2019.

DINIZ, Débora. O encontro com a pesquisa [...] com o texto [...] com a escrita. In: DINIZ, Débora. Carta de uma orientadora: o primeiro projeto de pesquisa, Brasília, Letras Livres, 2012, p. 31-80.

DI PROSPERO, Carolina; DAZA PRADO, Daniel. Etnografía (de lo) digital. Introducción al dossier, Revista Etnografías Contemporáneas, Tarapoto, v. 5, n. 9, 2019, p. 66-72.

FALS BORDA, Orlando. La ciencia y el pueblo: nuevas reflexiones. In: FALS BORDA, Orlando. Ciencia propia y colonialismo intelectual. Los nuevos rumbos, Bogotá, Carlos Valencia Editores, 1987, pp. 65-84

FERNANDEZ-CAMACHO, Marcela. Una metodologia militante: “parar para pensar”. Revista Liminar, v. 19, n. 1, p. 15-29, 2021.

FLICK, Uwe. Introdução à pesquisa qualitativa. Trad. Joice Elias Costa. 3. ed., Porto Alegre: Artmed, 2019.

GRILLO, Oscar. Etnografía multisituada, etnografía digital: reflexiones acerca de la extensión del campo y la reflexividad. Revista Etnografías Contemporáneas, Buenos Aires v. 5, n9, 2019, pp. 73-93.

OMITIDO. 2019

OMITIDO, 2019-2023

KRENAK, Shirley. Plenária das Mulheres Indígenas. Encontro Online. 28 mar, 2020.

LUGONES, Maria. Rumo ao feminismo decolonial. Revista de Estudos Feministas, Florianópolis, 2014, p 935-952, set/dez.

MACHADO, Ana. A relação entre a autoria e a orientação no processo de elaboração de teses e dissertações. In: BIANCHETT, Lucídio; MACHADO, Ana (Orgs.). A bússola do escrever: desafios e estratégias na orientação de teses e dissertações. São Paulo: UFSC; Cortez, 2002. p. 45-66.

MAGALHÃES, Izabel. Introdução: A Análise de discurso Crítica. Revista D.E.L.T.A.., 21: Especial, São Paulo, 2005, p. 1-9.

MIGNOLO, Walter D. A colonialidade de cabo a rabo: o hemisfério ocidental no horizonte conceitual da modernidade. In: LANDER, Edgardo (Org.). A colonialidade do saber: Eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: CLACSO, 2005, p. 35-54.

MIGNOLO, W. Entre el canon y el corpus: alternativas para los estudios literarios y culturales en y sobre América Latina. Nuevo texto crítico, v. 7, n. 1, p. 23-36, 1994.

NARVAZ, Marta; KOLLER, Sílvia. Metodologias Feministas e Estudos de Gênero: Articulando Pesquisa, Clínica e Política. Revista Psicologia em Estudo, Maringá, v. 11, n.3, p. 647-654, set./dez, 2006.

ORTIZ, Alexander; ARIAS, María. Hacer decolonial: desobedecer a la metodología de investigación. Revista Hallazgos, Bogotá, 16(31), p. 147- 166, 2019.

PRATT, Mary Louise. “No me interrumpas”: las mujeres y el ensayo latinoamericano. Debate Feminista, Cidade do México, v. 21, p. 70-88, 2000.

PIRES, Andressa; LIMA, Sostenes. Função-autor de Foucault e comodificação discursiva no contexto do capitalismo cognitivo. Vialitterae, Goiás, v. 12, p. 292-304, 2020.

RESTREPO, Alejandra. Genealogía como método de investigación feminista. In: BLAZQUEZ GRAF, Norma; CASTAÑEDA SALGADO, Martha Patricia. Lecturas críticas en investigación feminista. México: UNAM. 2016, p. 23-41.

RODRÍGUEZ, Rosana. El poder del testimonio, experiencias de mujeres. Revista Estudos Feministas, Florianópolis, 21(3), set./dez. 2013.

RODRÍGUEZ, Rosana. La vida encarnada: Significaciones sobre la experiencia corporal de las mujeres. Buenos Aires: Instituto de Estudios de Género y Mujeres. 2014, p. 115-128.

OMITIDO. 2008.

OMITIDO. 2013.

OMITIDO. 2016.

OMITIDO. 2020.

SEGATO, Rita Laura. Gênero e colonialidade: em busca de chaves de leitura e de um vocabulário estratégico descolonial. E-cadernos CES, n. 18. 2012, p. 106-131.

SOB ameaça de cortes no governo Bolsonaro, cursos de ciências sociais e humanas concentram diversidade racial. BBC Brasil, Brasil, 09 mai. 2019. Disponível em https://g1.globo.com/educacao/noticia/2019/05/09/sob-ameaca-de-cortes-no-governo-bolsonaro-cursos-de-ciencias-sociais-e-humanas-concentram-diversidade-racial.ghtml Acesso em 24 mai. 2019.

SPIVAK, Gayatri Chakravorty. 1985. Pode o subalterno falar? 1. ed. Trad. Sandra Regina Goulart Almeida; Marcos Pereira Feitosa; André Pereira. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2010.

SWAMPA, Mariestella. Notas provisorias sobre la sociología, el saber académico y el compromiso intelectual. In: HERNÁNDEZ; Valeria. SWAMPA, Mariestella. Entre dos mundos. Reflexividad y compromiso. Buenos Aires: Prometeo, 2008, pp. 1-17.

TAVARES, Inara N. Reflexões sobre o debate pós-colonial desde percepções de si. In: KAINGANG, Jozileia; BANIWA, Braulina, TREMBÉ, Lucinha, (org.) Vivências Diversas: uma coletânea de indígenas Mulheres. Editora Hucitec, São Paulo, 2020.

VASALLO, Clarisbel. Sociología del conocimiento y perspectiva decolonial: su pertinencia analítica para interrogarnos a nosotros mismos. Horizontes y Raíces, v. 7, n. 1, 2022, p. 18-28.

VIERA, Edilaíse. Conferência de abertura do Curso As Pensadoras Latinoamericanas. Mulheres Indígenas e a Colonização, 16.11.2020, vídeo (2h:10min). [Live]. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=1Auojuk8XnA&t=6008s. Acesso em 25 de mar. De 2022.

ZAPPELLINI, Marcello; FEUERSCHUTTE, Simone. O uso da triangulação na Pesquisa Científica Brasileira em Administração. Revista Administração: Ensino e Pesquisa. Rio de Janeiro, V. 16, n.2, p. 241-273. 2015

Downloads

Publicado

2026-08-10

Como Citar

Ferro, L. C. de S., & Ruano-Ibarra , E. del S. (2026). Hierarquias na pesquisa social latino-americana: reflexões sobre a prática. Revista Estudos Feministas, 34(2), 1–14. https://doi.org/10.1590/1806-9584-2026v34n288054

Edição

Seção

Artigos

Artigos Semelhantes

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 > >> 

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.