Crítica, comentário e tradução: algumas reflexões a partir de Benjamin e de Blanchot

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7968.2026.e110504

Palavras-chave:

tradução literária, crítica, comentário, modernidade, tradicionalidade

Resumo

Neste ensaio de 1986, publicado originalmente na revista PO&SIE, Antoine Berman examina a proximidade e a diferença “de essência” entre três modos de relação com as obras (literárias ou não): crítica, comentário e tradução. Retomando sobretudo as reflexões do seminário do ano anterior sobre A tarefa do tradutor, de Walter Benjamin, ele argumenta que criticabilidade, comentabilidade e traduzibilidade seriam estruturas a priori, razão pela qual, menos do que simples metatextos, crítica, comentário e tradução consistiriam em verdadeiros “destinos” das obras. Indissociável do espaço da modernidade, a crítica teria em vista o “livro por vir”. Desdobrando-se no plano do escrito, ela procuraria ir além da obra a partir da extração de seu puro sentido. O comentário e a tradução (da letra), por sua vez, estariam voltados para a significância da obra. Entendidos como modos tradicionais de relação com os textos, eles buscariam manifestar sua “oralidade” originária, que é a “oralidade” da língua dita materna, de modo a assegurar a continuidade de uma certa tradição. Ao final, ainda que se mostre “crítico” em relação à crítica, Berman conclui pela importância das três formas para a preservação da experiência-de-mundo tradicional que as obras encerrariam em si.

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Publicado

30-10-2026

Como Citar

Berman, A., & Bicalho, B. (2026). Crítica, comentário e tradução: algumas reflexões a partir de Benjamin e de Blanchot. Cadernos De Tradução, 46, 1–20. https://doi.org/10.5007/2175-7968.2026.e110504

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