CORPOREIDADE E SAÚDE MENTAL: ATUAÇÃO DA GESTALT-TERAPIA COM GRUPOS Embodied and Mental Health: the role of Gestalt therapy with groups

Conteúdo do artigo principal

Cadernos brasileiros de Saúde Mental CBSM

Resumo

A Gestalt-terapia compreende o ser humano como uma totalidade integrada, em que organismo constitui corpo, emoção e cognição como dimensões inseparáveis da experiência. Nesse contexto, a corporeidade assume papel fundamental no processo de autoconhecimento, especialmente no trabalho com grupos, no qual o campo relacional amplia as possibilidades de contato e awareness. Além disso, a ampliação da consciência da experiência tem implicações relevantes para a promoção da saúde mental, particularmente quando considerada em sua dimensão coletiva e relacional. O presente artigo tem como objetivo discutir a importância da corporeidade na Gestalt-terapia aplicada a grupos, destacando sua contribuição para o desenvolvimento de awareness e para a promoção de processos de saúde mental no âmbito coletivo, com particular interesse na promoção, prevenção e recuperação de saúde integral no âmbito público do Sistema Único de Saúde. Trata-se de uma reflexão teórica fundamentada em princípios da abordagem gestáltica, contribuições teóricas sobre saúde mental e coletiva e legislações. Conclui-se que a atenção à experiência corporal no contexto grupal favorece a ampliação da consciência de si e do campo relacional, constituindo um recurso importante para intervenções em saúde mental coletiva.

Detalhes do artigo

Como Citar
CBSM, Cadernos brasileiros de Saúde Mental. CORPOREIDADE E SAÚDE MENTAL: ATUAÇÃO DA GESTALT-TERAPIA COM GRUPOS: Embodied and Mental Health: the role of Gestalt therapy with groups. Cadernos Brasileiros de Saúde Mental/Brazilian Journal of Mental Health, [S. l.], v. 18, n. 55, 2026. DOI: 10.5007/2595-2420.2026.e111564. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/cbsm/article/view/111564. Acesso em: 27 abr. 2026.
Seção
Artigos originais

Referências

ALVIM, Mônica Botelho. Experiência Estética e corporeidade: fragmentos de um diálogo entre Gestalt-terapia, Arte e Fenomenologia. Estudos e pesquisas em psicologia, UERJ, RJ, v. 7, n. 1, p. 138-146, abr. 2007.

_____________________. O lugar do corpo e da corporeidade na Gestalt-terapia. In: FRAZÃO, Lílian Mayer; FUKUMITSU, Karina. O. Modalidades de intervenção clínica em Gestalt-terapia. v. 4, Editora Summus, São Paulo: 2016.

BRASIL. Ministério da Saúde. Presidência da República. Lei n. 10.216, de 6 de abril de 2001. Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 06 abril 2001.

BRASIL. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro. Portaria de Consolidação n. 3, de 28 de Setembro de 2017. Consolidação das normas sobre as redes do Sistema Único de Saúde. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 28 set 2017.

BRASIL. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro. Portaria GM/MS n. 3588 de 21 de dezembro de 2017. Altera as Portarias de Consolidação no 3 e n. 6, de 28 de setembro de 2017, para dispor sobre a Rede de Atenção Psicossocial, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 21 dez 2017.

BRASIL. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro. Portaria n. 2.488, de 21 de outubro de 2011. Aprova a Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes e normas para a organização da Atenção Básica, para a Estratégia Saúde da Família (ESF) e o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 21 out 2011.

BRASIL. Ministério da Saúde. Presidência da República. Lei n. 8.080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 19 set 1990.

BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Humanização. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2003.

BRASIL. Ministério da Saúde. Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. Nota técnica para organização da rede de atenção à saúde com foco na atenção primária à saúde e na atenção ambulatorial especializada – saúde mental. São Paulo, SP, 2021.

BENEVIDES, Daisyanne Soares; PINTO, Antonio Germane Alves; CAVALCANTE, Cinthia Mendonça; JORGE, Maria Salete Bessa. Cuidado em saúde mental por meio de grupos terapêuticos de um hospital-dia: perspectivas dos trabalhadores de saúde. Interface - Comunic., Saude, Educ, v.14, n.32, p.127-38, jan./mar., 2010.

BORIS, Georges Daniel Janja Bloc. Grupos gestálticos: uma proposta fenomenológica de facilitação da cooperação. Estudos e Pesquisas em Psicologia, Rio de Janeiro, v. 13, n. 3, p. 1124-1158, 2013.

BRITO, Rafaella Medeiros de Mattos; GERMANO, Idilva Maria Pires; SEVERO JUNIOR, Raimundo. Dança e movimento como processos terapêuticos: contextualização histórica e comparação entre diferentes vertentes. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro, v.28, n.1, p.147-165, jan.-mar. 2021.

CIORNAI, Selma. Abordagem gestáltica no trabalho com grupos. In: FRAZÃO, Lilian M.; FUKUMITSU, Karina O. Modalidades de intervenção clínica em Gestalt-terapia. São Paulo: Summus, 2016. p. 168-186.

COUTO, Cristiane; MACEDO, Maria Luisa de. Estudo de caso: um grupo terapêutico pelo olhar da gestalt-terapia. Boletim Entre SIS, Santa Cruz do Sul, v. 5, n. 1, p. 54-66, set. 2020.

DELACROIX, Jean-Marie. Le processus groupal dans une perspective de champ. Cahiers de Gestalt-thérapie, n. spécial, p. 55-70, 2013.

FRANCO, Renato Soleiman; SABINO, Evellyn de Souza José; BARROS, Alice Cioni de Toledo; MESADRI, Isadora Roberto; SANTOS, Maiara Raíssa dos; BORBA, Nahuana Alves. Vivência de grupo de apoio em saúde mental na atenção primária: um relato de experiência. Rev Bras Med Fam Comunidade. 2024;19(46):3901. https://doi.org/10.5712/rbmfc19(46)3901

GINGER, Serge; GINGER, Ane. Gestalt: uma terapia do contato. 4. ed. São Paulo: Summus, 1995.

KEPNER, Elaine. Gestalt group process. In: FEDER, B.; RONALL, R. (Org.). Beyond the hot seat: gestalt approaches to group. New York: Brunner/Mazel, 1980.

KEPNER, James I. Proceso corporal: un enfoque Gestalt para el trabajo corporal en psicoterapia. pref. Por Joseph C. Zinker; tradução por Jorge Abenamar Suárez Arana. 1a. ed., reimp. México: Editorial El Manual Moderno, 2000.

LEITE, Ana Paula Chagas Monteiro. Dança do ventre, autopercepção corporal e conhecimento de si: uma leitura fenomenológica pela Gestalt-terapia. Tese (Doutorado) Universidade Federal do Pará, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Belém, 2023a.

LEITE, Ana Paula Chagas Monteiro. A integração eu-corpo na dança do ventre: relato de uma formação. In: PEDROSO, Janari da Silva; SILVA, Carolina Ventura; BRANDÃO, Fernando Mateus Viégas (org.). Ciência da palhaçaria: estudos teóricos e práticas em saúde mental, 1. ed. Porto Alegre, RS: Editora Rede Unida. (Série Saúde Mental Coletiva, v. 8), 2023b.

NÓBREGA, Terezinha Petrúcia da. Uma fenomenologia do corpo. São Paulo: editora Livraria da Física, 2010. Coleção contextos da ciência.

OSÓRIO, Gina Paola Ardila. Possibilidades e limites da dança para o empoderamento das mulheres: um olhar da saúde coletiva. Dissertação de Mestrado (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Mestrado em Ciências, Programa de Medicina Preventiva, SP). 2015.

PERLS, Friederick. S.; HEFFERLINE, Ralph; GOODMAN, Paul. Gestalt-terapia. 2. ed. São Paulo: Summus, 1997.

POLSTER, Ervying; POLSTER, Miriam. Gestalt-terapia integrada. Belo Horizonte: Interlivros, 2001.

RHYNE, Janie. Arte e Gestalt: padrões que convergem. São Paulo: Summus, 2000.

RIBEIRO, Jorge Ponciano. Gestalt-terapia: o processo grupal: uma abordagem fenomenológica da teoria de campo e holística. São Paulo: Summus, 1994.

ROCHA, Maristela. Corpo e gestalt: vida em movimento. Revista da Universidade Vale do Rio Verde, Três Corações, v. 11, n. 2, p. 527-534, ago./dez. 2013.

SILVA, Carla do Eirado; OLIVEIRA, Cíntia Siqueira de; ALVIM, Mônica Botelho. Diálogos entre a Gestalt-terapia e a dança: corpo, expressão e sentido. Rev. Ciênc. Ext. v.10, n.3, p.41-55, 2014.

STEVENS, John O. Tornar-se presente: experimentos de crescimento em Gestalt-terapia. [tradução Maria Júlia Kovacs, George Schlesinger]. 14.ed. (Novas Buscas em Psicoterapia. v.1.). São Paulo: Summus editorail, 1988.

TELLEGEN, Therese. A. Gestalt e grupos: uma perspectiva sistêmica. São Paulo, Summus, 1984.

VALE, Kamilly Souza do; LEITE, Ana Paula Chagas Monteiro. Psicoterapia gestáltica em grupo para mulheres: reconhecimento de si e empoderamento feminino. Phenomenological Studies - Revista da Abordagem Gestáltica. v. XXIX, n.1., 2023.

YONTEF, Gary. Processo, diálogo e awareness: ensaios em Gestalt-terapia. São Paulo: Summus, 1998.

ZINKER, Joseph. C. O processo criativo em Gestalt-terapia. São Paulo: Summus, 2007.

Artigos Semelhantes

<< < 1 2 3 4 > >> 

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)

1 2 3 4 5 6 7 8 9 > >>