A disciplina de Práticas em Ensino Física e a análise da atividade de licenciandos no início do Estágio Supervisionado na Escola

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7941.2021.e83165

Palavras-chave:

Teoria da Atividade, Prática de Ensino de Física, Estágio Supervisionado, Ensino de Física, Formação de Professores

Resumo

O objetivo deste artigo é apresentar o desenvolvimento da disciplina de Práticas em Ensino de Física, na forma de um relato de experiência, para discutir e analisar a atividade de licenciandos em Física que estavam iniciando o estágio supervisionado na escola. A disciplina de Práticas, objeto de nossa análise, é parte do currículo de uma licenciatura em Física (diurno e noturno) de uma universidade pública brasileira. Baseamo-nos em uma abordagem qualitativa e utilizamos a vídeo-gravação para o registro dos eventos das aulas da disciplina realizada durante um ano letivo inteiro, no qual os licenciandos estavam iniciando o estágio supervisionado na escola. A discussão e análise serão fundamentadas na Teoria da Atividade, especificamente, no conceito de objetivação, de tal forma que argumentamos que a escola se torna objeto da atividade dos licenciandos. Para isso, vamos concentrar a organização do artigo em função das aulas de Práticas na Universidade e das mudanças que ocorreram ao longo do ano no desenvolvimento da disciplina. A identificação das mudanças se deu pela caracterização da disciplina em três momentos distintos que, seguindo uma sequência cronológica, fornecem indícios de que os licenciandos vivenciaram um processo de mudança de perspectivas de aluno para professor, considerando-se a mudança de necessidades ocorridas em virtude do início dos trabalhos de estágio na escola. Assim, a partir dessa discussão, apontamos para a importância da escola no processo de aprender e de se tornar professor de Física.

Biografia do Autor

Glauco dos Santos Ferreira Silva, CEFET/RJ, Campus Petrópolis

Possui Licenciatura Plena em Física (2003) pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), mestrado (2008) e doutorado (2013) em Ensino de Ciências (Modalidade Física) pela Universidade de São Paulo (USP), tendo realizado estágio no exterior (Programas de Bolsa Sanduíche da CAPES) junto ao Graduate Center of City University of New York (CUNY). Atou no Ensino Médio da rede estadual de Minas Gerais na cidade de Juiz de Fora. Foi professor substituto no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), atuando no curso de Licenciatura em Física. Atualmente, é professor efetivo do CEFET/RJ, Campus Petrópolis. Participa do Núcleo de Atividades e Pesquisa em Ensino de Física (NAPEF) deste campus e é lider do Grupo de Pesquisa Perspectivas Sociais em Ensino de Ciências (GPSEC). Orientador de mestrado no Programa de Pós-graduação em Ciência, Tecnologia e Educação (PPCTE) do CEFET/RJ. Representante da Região America do Sul do IOSTE no biênio 2018-20.

https://orcid.org/0000-0002-2747-720X

 

Alberto Villani, Universidade de São Paulo

Possui graduação em Filosofia – Licenza – Aloisianum Facultas Philosophica (1966), graduação em Física – Laurea – Universita degli Studi di Padova (1969) e doutorado em Física pelo Instituto de Física Teórica de São Paulo (Universidade Estadual Paulista, 1972), Livre Docência pela Universidade de São Paulo (1987) e pós-doutorado pela Universitá di Bologna (1989). Atualmente, é Professor Senior da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Ensino de Ciências, atuando principalmente nos seguintes temas: psicanálise e educação, formação de professores, grupos de aprendizagem.

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Publicado

2021-12-15

Edição

Seção

Formação de Professores de Ciências/Física