Reflexões sobre memória e esquecimento no estudo dos desastres socioambientais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1807-1384.2025.e108178

Palavras-chave:

História Ambiental, Desastre Socioambiental, Memória, Esquecimento

Resumo

O presente artigo apresenta uma discussão conceitual sobre o uso de fontes orais nos estudos dos desastres socioambientais. Nesse percurso, discute-se a mobilização da memória e os embates com o esquecimento. No atual contexto das mudanças climáticas, observa-se o aumento da ocorrência e do impacto dos desastres, o que gera também a ampliação das experiências e das memórias relacionadas a esses eventos extremos. A História Ambiental tem se debruçado sobre o tema desde seu surgimento, na década de 1970, mas foi apenas recentemente que o conceito de desastre socioambiental passou a ser utilizado pelo campo, especialmente no Brasil. A entrevista com sobreviventes de desastres socioambientais é defendida, neste trabalho, como uma estratégia de pesquisa que permite superar a hegemonia da análise quantitativa, possibilitando um mergulho na subjetividade dos entrevistados e em suas percepções sobre o ambiente. No entanto, devem ser consideradas as articulações entre percepção, memória e narração na composição do testemunho, bem como questões éticas envolvidas na rememoração de eventos traumáticos pelos sobreviventes.

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Publicado

30.12.2025

Edição

Seção

Dossiê: Imprevisível como Norma: desastres, território e a política da vulnerabilidade. Organização: Dra. Eunice Sueli Nodari; Dr. Hernani Ciro Santana; Jó Klanovicz.