Biopoder e Racismo Político: Uma análise a partir de Michel Foucault

Cesar Candiotto, Thereza Salomé D’Espíndula

Resumo


A experimentação de novos tratamentos e medicamentos valeu-se dos humanos como cobaias desde que estes se deram conta de que isso poderia colaborar para uma melhoria das condições de vida. Porém, foram produzidas vítimas. Apesar dos grandes benefícios, interesses científicos e individuais podem ser conflituosos gerando complicações, mesmo éticas, como ocorreu no “Caso Tuskegee”, um estudo acerca da evolução da sífilis. Após narrar o mesmo, o presente artigo pretende elaborar uma interligação com o biopoder de Foucault. O biopoder inicia-se com o advento do capitalismo e de uma medicina com função de higiene pública, centralização da informação, saneamento e controle de doenças e, imbuída desse papel, passa a exercer um controle do uso dos corpos e da manutenção da saúde da população. Questionando Tuskegee, chega-se a outro ponto ressaltado por Foucault: que para o exercício do poder e da função de morte em um sistema político centrado nele, há que intervir o racismo político. O termo “racismo” empregado por Foucault pode hoje abrigar as diferenças de raça ou cor, de padrões midiaticamente exigidos; ele também pode incluir as situações de exclusão, desigualdades sociais, encarceramento e abandono. Enfim, discute-se a diferença entre relações de poder e processos de dominação no pensamento de Foucault. Para ele, não há relações de poder sem resistências; e onde há dominação, as resistências são inoperantes.


Palavras-chave


Foucault; Biopoder; Racismo politico; Vida

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DOI: https://doi.org/10.5007/1807-1384.2012v9n2p20

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