As relações de gêneros e os sujeitos que atuavam, atuam, no comércio de drogas ilícitas

André Masao Peres Tokuda, Wiliam Siqueira Peres

Resumo


Este artigo visa problematizar sobre a interferência das relações de gêneros, especificamente as masculinidades, na busca dos sujeitos pelo comércio de drogas ilícitas. Utilizamos o método cartográfico para mapear as histórias existenciais de oito pessoas que estavam presas, problematizando sobre as experiências vividas por essas até serem condenadas no art. 33 do Código Penal brasileiro. Com os resultados das cartografias pode-se colocar que são múltiplas as linhas que interferem na entrada no comércio de drogas, no entanto as relações de gêneros tiveram destaque, a necessidade de se provar “homem de verdade” foi um dos fatores mais presentes nas falas dos participantes. Assim, discutimos a necessidade da Psicologia se distanciar de posicionamentos limitados, por exemplo, de que as ações infracionais tenham suas causas em patologias, ou somente é uma questão de desigualdade social, sendo mais problematizadora das diversas linhas que atravessam e constroem os sujeitos.


Palavras-chave


Psicologia Social; Comércio de Drogas; Masculinidade; Psicologia Jurídica; Gênero e Sexualidade

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DOI: https://doi.org/10.5007/1807-1384.2018v15n2p104

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