“Os sentimentos eles nunca vão indenizar”: tecendo memórias de mulheres ribeirinhas atingidas por barragens

Ana Daisy Araújo Zagallo, Marina Hainzenreder Ertzogue

Resumo


O presente artigo tem por objetivo abordar a vulnerabilidade emocional das mulheres ribeirinhas atingidas pela Usina Hidrelétrica de Estreito (MA/TO), com ênfase no registro da história de vida de mulheres idosas, remanescentes da Ilha de São José, em Babaçulândia (TO). A desestruturação do modo de vida das comunidades rurais tornou as mulheres desterritorializadas vulneráveis não apenas em relação aos aspectos econômicos, mas, sobretudo, os aspectos emocionais e simbólicos causados por perda do modo de vida tradicional. Analisamos a relação afetiva com o rio, o lugar de vivência e a memória. Diagnosticamos que a vulnerabilidade afetiva decorrente do deslocamento trouxe para elas, além do sentimento de incertezas quanto ao futuro, tristeza e depressão. Tais impactos não são relevantes em estudos ambientais apresentados por empreendedores do setor hidrelétrico e tampouco há mitigação prevista, embora, estudos na área do direito ambiental apontem para a necessidade de indenização por danos de valor afetivo.


Palavras-chave


Barragens; Território; Mulheres Ribeirinhas; Vulnerabilidade Afetiva

Texto completo:

PDF/A

Referências


BRASIL. Ministério da Integração Nacional. Secretaria de Infraestrutura Hídrica. Diretrizes Ambientais para Projeto e Construção de Barragens e Operação de Reservatórios. Brasília: Bárbara Bela Editora Gráfica e Papelaria Ltda, 2005.

CDDPH - Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana. Relatório da Comissão Especial de Atingidos por Barragens. Resoluções n. 26/06, n. 31/06, n. 01/07, n. 02/07, n. 31/07, Brasília, DF, 2010. Disponível em: .Acesso em: 22 abr. 2015.

CNEC ENGENHARIA S. A. Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental – EIA/RIMA da Usina Hidrelétrica de Estreito. São Paulo, 2002.

. Programa de Ações para Reposição de Perdas e Relocalização da População Rural e Urbana da UHE Estreito. São Paulo, 2005. In: Licenciamento IBAMA (2005). Disponível em: . Acesso em: 12 jun. 2016.

ELETROBRÁS – Centrais Elétricas do Brasil S.A. Plano Diretor do Meio Ambiente. (1991-1993). Volumes 1 e 2. Rio de Janeiro: Eletrobrás, 1990. Disponível em: . Acesso em: 01 set. 2016.

ERRANTE, Antoinette. Mas afinal, a memória é de quem? História oral e modos de lembrar e contar. História da Educação. Pelotas: ASPHE/UFPel, v. 8, 141–74, set. 2000.

HAESBAERT, Rogério. Concepções de território para entender a desterritorialização. In: SANTOS, Milton. et al. (Org.). Território Territórios. 3ª ed. Niterói: Lamparina, 2007, p. 43-71.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O Brasil em síntese: mapas e pesquisas do IBGE sobre os municípios e estados do Brasil. Disponível em: < https://cidades.ibge.gov.br> Acesso em 10 jun. 2017.

MAB - Movimento dos Atingidos por Barragens. Carta Final do 1º Encontro Nacional das Mulheres do MAB. 1º Encontro das Mulheres Atingidas dor Barragens. Brasília, 07 de abril de 2011. Disponível em: < http://www.mabnacional.org.br/noticia/carta-final-do-encontro-nacional-das-mulheres-do-mab>. Acesso em: 20 fev. 2015.

. Brazil: Women affected by dams – changes in their lifestyles. In: WRM Bulletin, nº 152, March, (2010). Disponível em: . Acesso em: 15 mar. 2016.

MALUF, Marina. Ruídos da memória. São Paulo: Siciliano, 1995.

REIS, Maria José; BLOEMER, Neusa M. Reis. Hidrelétricas e populações locais. Florianópolis: Cidade Futura/Ed. da UFSc, 2001.

IHU- Instituto Humanitas Unisinos. (Entrevista). ROCHA, Cirineu. Usina de Estreito e seus impactos socioambientais. 01 set. 2010. Disponível em: . Acesso em: 22 out. 2015.

PNUMA. Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente/IBAMA e Universidade Livre da Mata Atlântica-UMA. Vulnerabilidade humana relacionada à mudança ambiental (4). In: Perspectivas do Meio ambiente Mundial. GEO3. Brasília/DF: PNUMA/IBAMA/UMA, 2002. Disponível em: . Acesso em 13 mar. 2017.

REBOUÇAS, Lídia Marcelino. O planejado e o vivido: o reassentamento de famílias ribeirinhas no Pontal do Paranapanema. São Paulo: Annablume/Fapesp, 2000.

REZENDE, Leonardo Pereira. Dano moral e licenciamento ambiental de barragens hidrelétricas. Curitiba: Juruá, 2003.

SAQUET, Marco Aurélio. Por uma abordagem territorial. SAQUET, Marco Aurélio e SPOSITO, Elizeu Savério. (Org). Territórios e territorialidades: teorias, processos e conflitos. São Paulo: Expressão Popular/UNESP, 2009.

SCARSO, Aline. Atingidos pela usina Estreito completam primeira semana de acampamento. Brasil de fato. 27 jul. 2009. Disponível em: . Acesso em 13 dez. 2015.

SCHERER-WARREN, Ilse. Redes de movimentos sociais. 5º Edição. São Paulo: Loyola, 2011.

TOCANTINS, Rio Afogado (Documentário). (41:44-42:14). Direção de João Luiz Neiva. Roteiro: Hélio Brito. MINC/ DOCTV 2, Brasil, 2005, DVD.

TOCANTINS. Secretaria do Planejamento e Meio Ambiente – Seplan/ Instituto Natureza do Tocantins – Naturatins. Plano de Manejo do MNAFTO. Dez 2005. Disponível em . Acesso em: 10 mar. 2017.

TUAN, Yi-Fu. Topofilia: um estudo da percepção, atitudes e valores do meio ambiente. São Paulo: Difel, 2012.

VALENCIO, Norma Felicidade Lopes; GONÇALVES, Juliano Costa. Da confiança à fatalidade: colapso de barragens como limite ao paradigma da modernização? Política & Trabalho: Revista de Ciências Sociais, v. 25, outubro de 2006.

WEIMANN, Guilherme. Os sentimentos eles nunca vão indenizar. (Entrevista com Claides Helga); Movimento dos Atingidos por Barragem. 11 de nov. 2013. Disponível em: . Acesso em: 15 de nov. 2015.




DOI: https://doi.org/10.5007/1807-1384.2018v15n3p91

Direitos autorais 2018 Revista Internacional Interdisciplinar INTERthesis

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

R. Inter. Interdisc. INTERthesis, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, eISSN 1807-1384

 

Licença Creative CommonsConteúdos do periódico licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição 4.0 Internacional.