Imagem e Biopoder: Um Estudo dos processos de subjetivação implicados nas dinâmicas do Instagram

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1807-1384.2021.e79112

Palavras-chave:

Instagram, Imagem, Subjetividade, Biopoder, Redes Sociais

Resumo

Este trabalho faz uma análise das dinâmicas da plataforma de fotos e vídeos Instagram, uma das mais populares atualmente. Argumenta-se que a autoexposição e a “vigilância” do outro incentivadas pela rede social contribuem para a produção de um tipo de subjetividade afim ao funcionamento do biopoder contemporâneo. Sob o biopoder, seres humanos tendem a pensar-se como seres individuais, livres e capazes de autogoverno. Para compreender como o Instagram participa desse processo de subjetivação, aplicou-se um modelo teórico que discute as dinâmicas da plataforma considerando um conjunto de dimensões-etapas. Esse procedimento demonstra de que maneira ações como expor-se e ver os outros, avaliar e ser avaliado podem engendrar sujeitos que creem serem livres, mas que ao mesmo tempo estão preocupados com sua performance na rede e fora dela. Este estudo espera colaborar para a compreensão dos modos pelos quais os poderes estão atuando e governando seres humanos na atualidade.

Biografia do Autor

Fabíola Stolf Brzozowski

Possui graduação em Farmácia, Especialização em Saúde da Família, Mestrado em Saúde Pública, Doutorado em Saúde Coletiva, todos pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atualmente é pós-doutoranda no Programa Interdisciplinar em Ciências Humanas na UFSC e membro do Comitê de Ética em Pesquisa da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina (CEP/SES/SC)

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Publicado

2021-03-08

Edição

Seção

Artigos - Condição Humana e Saúde na Modernidade