A economia psicopolítica e a economia da felicidade: repensando consumo, renda e meio ambiente
DOI:
https://doi.org/10.5007/1807-1384.2020.e67351Resumo
Com o intuito de dar continuidade ao aprofundamento dos estudos transdisciplinares, o presente artigo contempla as possíveis complementaridades entre a Economia Psicopolítica e a Economia da Felicidade. Por ambas reunirem elementos que possibilitam uma nova episteme no tratamento do consumo, da concentração de renda e da devastação do meio ambiente, pretende-se, através delas, propor uma visão não ortodoxa para o relacionamento dos agentes econômicos. A economia psicopolítica visa, através da tomada de consciência dos sujeitos em rede em relação à qualidade emancipatória ou não dos estados mentais que são autorizados a serem fonte de referência para a capacidade de julgar, restabelecer a comunicação, permitindo construir formas de re-harmonização das condições de existência e, possibilitando, assim, alcançar um maior nível de bem-estar. Por sua vez, os estudos da economia da felicidade enfatizam a abordagem de uma realidade social altamente complexa e dinâmica, onde o modo de pensar dualista se revela pobre e incompleto dada a existência de infinitos matizes de cores entre as pontas do espectro formado pelos fatos. Os argumentos propostos por essas duas epistemologias oferecem contribuições de reflexão metodológica pluralista e para além do modo de pensar dualista.
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