“Passou de branco, é preto!”: lazeres, racismo e identidade negra
DOI:
https://doi.org/10.5007/2175-8042.2026.e114869Palavras-chave:
Lazeres, Mulheres negras, Racismo, ColonialidadeResumo
O objetivo deste artigo é compreender como as vivências de lazeres se relacionam com o racismo, a história de vida de mulheres negras e com o porvir das consciências raciais. Realizamos um estudo qualitativo, de história de vida e abordagem narrativa e (auto)biográfica, a partir de um método que articula narrativas orais e imagéticas. A pesquisa indicou que o lazer possibilita experiências novas, de modo que o ideal do ego, cujas vigas mestras foram levantadas no contexto familiar, seja reforçado, alcançando significados de modelo ideal para as pessoas negras. O lazer como performance do porvir das negras se circunscreve na cultura negra como local de inscrição de conhecimento grafado no corpo e na voz, que se repete no passado, presente e futuro como recriação, transmissão e revisão da ancestralidade. O lazer se grafa como memória nas histórias de vida das mulheres negras, possibilitando a ampliação das consciências do tornar-se negra. Os lazeres são possibilidades educativas que desvelam potencialidades nas subjetividades do tornar-se negra e no desenvolvimento da consciência racial e política como ferramentas de lutas e de resistência no enfrentamento dos racismos e dos sexismos.
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