Tradução de literatura infanto-juvenil

Marcílio Garcia de Queiroga, Lincoln Paulo Fernandes

Resumo


Neste trabalho nos propomos a discutir as complexidades da tradução de literatura infanto-juvenil. Para tanto, procuramos perfazer inicialmente o roteiro de teóricos em busca de uma conceituação para a literatura infanto-juvenil, dos pontos de intersecção entre os vários discursos e das dificuldades encontradas para estabelecimento de uma definição em virtude da complexidade de elementos envolvidos. Os argumentos acerca da definição de literatura infanto-juvenil permitem um olhar mais aprofundado acerca da complexidade e das peculiaridades do gênero, conforme apontado por teóricos como Peter Hunt, Ronald Jobe e Zohar Shavit. As particularidades da tradução de LIJ são apontadas e discutidas, entre as quais destacamos a relação assimétrica/leitor dual em que o adulto se interpõe em todas as etapas que compõem a (tradução de) literatura infanto-juvenil; a multiplicidade de funções, dado apontado pela inserção/pertencimento do gênero aos sistemas sócio educacional e literário e permeado de valores por eles atribuídos; e a manipulação textual, percebida nas liberdades tomadas em virtude da condição periférica do gênero. Cortes, omissões, acréscimos, adaptações, ajustes de linguagem determinados por questões ideológicas são alguns dos aspectos discutidos neste artigo.

 


Palavras-chave


Tradução de literatura infanto-juvenil; Relação assimétrica; Multiplicidade de funções; Manipulação textual

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DOI: https://doi.org/10.5007/2175-7968.2016v36n1p62



Cadernos de Tradução, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. ISSN 2175-7968.