Um olhar sobre a exclusão social na contemporaneidade brasileira: poderemos resistir?
DOI:
https://doi.org/10.5007/1807-1384.2024.e102683Palabras clave:
Exclusão, neoliberalismo, necropolítica, contemporaneidade, resistênciaResumen
Nos últimos anos podemos observar uma discussão sobre os efeitos sociais da precarização que segue a terceirização das relações trabalhistas e a rejeição de direitos, por parte dos empregadores, decorrente desse modo de produção tão popular atualmente. Nossa proposta nesse artigo não é apenas discutir a relação entre essa nova dinâmica de trabalho e a exclusão social no Brasil. Mas também retratar como essas novas formas de organização do trabalho afetam os trabalhadores, não apenas no âmbito profissional, mas também em suas vidas privadas: suas relações familiares, de amizade, de vizinhança, de lazer e afins. Para tal, vamos trazer as noções de Necropolítica (2018) e de Brutalismo (2021), do filósofo camaronês Achille Mbembe, para em seguida pensarmos se existem formas de resistências a essa nova realidade, social, política e econômica, fomentada pelo avanço tecnológico e implementada a fim de garantir uma maior exploração, tanto dos corpos quanto das mentes, que acaba por eliminar os “sobrantes do mercado” já marginalizados em razão de não disporem de poder de consumo, ou melhor, os excluídos que não se fazem mais necessários em um mundo regido pelo neoliberalismo.
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