Corpos no extremo: a gestão discursiva da morte no fisiculturismo de alto rendimento

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-8042.2026.e112907

Palavras-chave:

Fisiculturismo, Morte, Biopolítica, Educação física

Resumo

Este estudo analisa como a morte de fisiculturistas de alto rendimento é construída discursivamente em reportagens de grande circulação. Parte-se do entendimento de que o óbito de atletas associados à disciplina, ao controle técnico e à potência corporal produz uma fratura simbólica que demanda reorganização narrativa. Trata-se de uma investigação qualitativa ancorada na Análise Crítica do Discurso, desenvolvida a partir de um monitoramento que identificou 170 óbitos relacionados ao fisiculturismo entre 2023 e 2026. Após triagem e saturação teórica, selecionaram-se dez reportagens referentes a seis casos emblemáticos. A análise evidenciou quatro eixos centrais: racionalização técnico-científica do corpo; gestão generificada da finitude; estetização do excesso corporal; e deslocamento da causalidade estrutural para eventos biomédicos individualizados. Conclui-se que o discurso jornalístico tende a administrar simbolicamente essas mortes sem produzir uma crítica estrutural à cultura do rendimento extremo, reinscrevendo o óbito como exceção individual.

Biografia do Autor

Eduardo Pinto Machado, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Graduação em Educação Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2009), Mestrado e Doutorado em Ciências do Movimento Humano pela UFRGS. É Técnico em Assuntos Educacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Coordenador do Núcleo Acadêmico da Gerência Administrativa da ESEFID UFRGS.

Thais de Quadros Almeida Wandscher, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Bolsista de Iniciação Científica. Estudante do curso de Educação Física (UFRGS)

Alan Camargo Silva, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Possui graduação em Licenciatura Plena em Educação Física pela UFRJ, Especialização Lato sensu em Exercício Físico Aplicado à Reabilitação Cardíaca e a Grupos Especiais pela UGF, Mestrado em Educação Física, Doutorado em Saúde Coletiva e Pós-Doutorado em Educação Física pela UFRJ.

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Publicado

2026-09-08

Como Citar

MACHADO, Eduardo Pinto; WANDSCHER, Thais de Quadros Almeida; SILVA, Alan Camargo. Corpos no extremo: a gestão discursiva da morte no fisiculturismo de alto rendimento. Motrivivência, Florianópolis, v. 38, n. 69, p. 1–19, 2026. DOI: 10.5007/2175-8042.2026.e112907. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/motrivivencia/article/view/112907. Acesso em: 9 set. 2026.

Edição

Seção

Artigos Originais