Corpos no extremo: a gestão discursiva da morte no fisiculturismo de alto rendimento
DOI:
https://doi.org/10.5007/2175-8042.2026.e112907Palavras-chave:
Fisiculturismo, Morte, Biopolítica, Educação físicaResumo
Este estudo analisa como a morte de fisiculturistas de alto rendimento é construída discursivamente em reportagens de grande circulação. Parte-se do entendimento de que o óbito de atletas associados à disciplina, ao controle técnico e à potência corporal produz uma fratura simbólica que demanda reorganização narrativa. Trata-se de uma investigação qualitativa ancorada na Análise Crítica do Discurso, desenvolvida a partir de um monitoramento que identificou 170 óbitos relacionados ao fisiculturismo entre 2023 e 2026. Após triagem e saturação teórica, selecionaram-se dez reportagens referentes a seis casos emblemáticos. A análise evidenciou quatro eixos centrais: racionalização técnico-científica do corpo; gestão generificada da finitude; estetização do excesso corporal; e deslocamento da causalidade estrutural para eventos biomédicos individualizados. Conclui-se que o discurso jornalístico tende a administrar simbolicamente essas mortes sem produzir uma crítica estrutural à cultura do rendimento extremo, reinscrevendo o óbito como exceção individual.
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