Os “corpos dóceis” e as instituições socioeducativas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-795X.2020.e65470

Palavras-chave:

Educação, Jovem em privação de liberdade, Disciplinamento

Resumo

Este texto aborda algumas das questões inquietantes acerca dos processos disciplinares nas instituições socioeducativas de internação de jovens em privação de liberdade. Para seu desenvolvimento utilizamos a perspectiva foucaultiana, a fim de problematizar alguns elementos constituintes da educação voltada aos jovens privados de liberdade. As reflexões feitas são induzidas a partir da ideia de corpos dóceis proposta por Michel Foucault. O tensionamento entre as normas oficiais e sua execução em ambientes de privação de liberdade de menores parece deixar, ainda, muito a desejar. Para pensar a educação, neste contexto, é preciso repensar as políticas públicas que regulamentam este sistema educacional, pois muitas vezes se tornam invisíveis perante a sociedade. É necessário, ainda, levar em conta a singularidade de todos os atores que estão inseridos neste cenário. Ainda que se trate de um campo de pesquisa recente, há muitos questionamentos não equacionados pelas diversas esferas, principalmente no que se refere à educação dos jovens em privação de liberdade.

Biografia do Autor

Marcilei da Silva Bender, Universidade Comunitária da Região de Chapecó, Unochapecó

Mestranda no Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu (Mestrado em Educação) da Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó).

Ireno Antônio Berticelli, Universidade Comunitária da Região de Chapecó, Unochapecó

Doutor em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, é docente no Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu (Mestrado em Educação) da Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó).

Referências

BERTICELLI, Ireno Antônio. Epistemologia e educação: da complexidade, auto-organização e caos. Chapecó: Argos, 2006.

BRASIL. Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE). Secretaria Especial dos Direitos Humanos - Brasília, DF: 2006. CONANDA

BRIGHENTE, Miriam Furlan; MESQUIDA, Peri. Michel Foucault: corpos dóceis e disciplinados nas instituições escolares. Anais. 2011. Disponível em http://educere.bruc.com.br/CD2011/pdf/4342_2638.pdf Acesso em 30 de jan. de 2019.

FOUCAULT, Michel. Segurança, território, população. Tradução Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 2008.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Rio de Janeiro: Vozes, 2014.

HADDAD, Sérgio. Os desafios da educação escolar e não escolar nas prisões. In: YAMAMOTO, Aline et al. CEREJA Discute: educação em prisões. São Paulo: Alfasol: CEREJA, 2010. p. 119-122.

LA METTRIE, JeanOffray de. O homem máquina. Tradução de Antônio Carvalho. Introdução e notas de Fernando Guerreiro. Lisboa: Editorial Estampa, 1982.

MELLO, Fábio Mansano de; SANTOS, Leonardo Moraes dos. Reflexões sobre a educação escolar no sistema prisional. 2008. Disponível em https://docplayer.com.br/6547643 Acesso em 01 de fev. de 2019.

ONOFRE, Elenice Maria Cammarosano; JULIÃO, Elionaldo Fernandes. A Educação na Prisão como Política Pública: entre desafios e tarefas. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 38, n. 1, p. 51-69, jan./mar. 2013. Disponível em: http://www.ufrgs.br/edu_realidade Acesso em 03 de fev. de 2019.

SCISLESKI, Andrea Cristina Coelho; GALEANO, Giovana Barbieri; SILVA, Jhon Lennon Caldeira da; SANTOS, Suyanne Nayara dos. Medida Socioeducativa de internação: dos corpos dóceis às vidas nuas. Psicologia: Ciência e Profissão, 2014, 34(3), 660-675.

VEIGA-NETO, Alfredo. Foucault & educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2017.

VEIGA-NETO, Alfredo; LOPES, Maura. Corsini. Inclusão e Governamentalidade. Revista Educação e Sociedade, Campinas, v. 28, n. 100-Especial, p. 947-963, out. 2007. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/es/v28n100/a1528100.pdf. Acesso em 02 de fev. de 2019

Downloads

Publicado

2020-10-28