O feminismo e sua sombra. O antifeminismo de Ana Campagnolo
DOI:
https://doi.org/10.1590/1806-9584-2026v34n1109491Palavras-chave:
feminismo, antifeminismo, ondas feministas, discurso historiográfico, sociologia históricaResumo
Este artigo analisa a narrativa histórica antifeminista de Ana Campagnolo em Feminismo: Perversão e Subversão. A análise de seu discurso historiográfico, à luz da teoria da história e da sociologia histórica, revela uma tensão: ao criticar a memória social feminista, Campagnolo reproduz suas mesmas premissas problemáticas, tratando o feminismo como um movimento único, coeso e teleológico. Seu argumento articula uma aplicação seletiva da relação entre agência, estrutura e mudança social: as feministas são retratadas como artífices da revolução sexual e das mudanças estruturais na família e casamento, mas não da conquista do direito ao voto, trabalho e educação. Ao separar direitos femininos da identidade feminista, a obra oferece uma história terapêutica às leitoras, dialogando com aspirações por segurança, autonomia e dignidade que estão em conflito com sua percepção do que é feminismo.
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