A educação cientificista do currículo STEM e possibilidades contra-hegemônicas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7941.2026.e114371

Resumo

Desde o século XVI, a ciência tem sido percebida como um corpo de conhecimentos neutro e inquestionável, passando a fazer parte do currículo escolar ocidental. No século XX, entre as décadas de 1960 e 1970, surge a abordagem curricular contra-hegemônica Ciência-Tecnologia-Sociedade (CTS), visando investigar criticamente as relações da ciência e da tecnologia com a sociedade. Recentemente, tem sido defendida uma virada na educação em ciências a partir de uma perspectiva sociopolítica e de justiça social. Por outro lado, desde os anos 2000, a abordagem curricular Science Technology, Engineering e Mathematics (STEM), voltada para a formação de pessoal nas áreas científicas, vem ganhando espaço em muitos países. Neste editorial, defendemos que o discurso atento às questões sociais e sociocientíficas, como proposto, por exemplo, nas perspectivas CTS e sociopolítica podem ser vistos como contraponto ao currículo STEM e por isso desempenhar um papel fundamental nos currículos de ciências neste momento histórico.

Biografia do Autor

Fernanda Ostermann , Universidade Federal do Rio grande do Sul

É Licenciada em Física (1987), tem Mestrado (1991) e Doutorado (2000) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. De 1989 a 1992, atuou como professora de Física na rede pública estadual de ensino de Porto Alegre. Por concurso público, ingressou, em 1994, no Departamento de Física da UFRGS. Atualmente, ocupa o cargo de Professora Titular e é membro permanente do Programa de Pós-graduação em Ensino de Física. No período de novembro de 2006 a fevereiro de 2010 foi coordenadora do PPG Ensino de Física. Foi vice-presidente da Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (ABRAPEC), de 2015 a 2017. Foi membro do Conselho Deliberativo do Instituto Latino-americano de Estudos Avançados - ILEA, de 2014 a 2018. Sob sua orientação, quatro teses foram agraciadas com o Prêmio CAPES de Tese na área de Ensino (em 2014, o prêmio da melhor tese, em 2018, 2020 e 2021, a conquista de Menção Honrosa, sendo a de 2020 como coorientadora). Foi presidente da ABRAPEC (biênio 2017-2019) e exerceu o cargo de representante da região Sul (biênio 2019-2021). É Editora-chefe do Caderno Brasileiro de Ensino de Física e membro do Conselho Editorial das revistas Didáctica de las Ciencias Experimentales y Sociales (Espanha), Investigação e Práticas em Educação em Ciências, Matemática e Tecnologia (Portugal) e Ensaio: Revista de Pesquisa em Educação em Ciências (Brasil). É líder do grupo "Pesquisa em ensino de Física sob a perspectiva sociocultural", bolsista de produtividade em pesquisa nível 1B do CNPq e, desde julho de 2023, é membro titular do Comitê de Assessoramento da Educação no CNPq.

Flavia Rezende, Universidade Federal do Rio de Janeiro

É Licenciada em Física e tem Mestrado em Educação na UFRJ e Doutorado em Educação na PUC-Rio, em 1996. Em 1997, iniciou a carreira docente no PPG em Educação em Ciências e Saúde do NUTES-UFRJ, tendo atuado como vice-coordenadora por 10 anos e como coordenadora no período 2010-2011. Orientou dissertações e teses tendo como referenciais teóricos o construtivismo, o sócio-interacionismo e a perspectiva sociocultural e como objetos a qualidade da educação científica (Observatório da Educação, CAPES, 2008), a formação de identidades docentes, o impacto dos mestrados profissionais (Observatório da Educação, CAPES, 2012), perspectivas docentes, entre outros. Foi membro da Diretoria da Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (ABRAPEC) no período de 2009 a 2011. Em 2015, concentrou suas atividades de pesquisa e de orientação como docente colaboradora do Programa de Pós-graduação em Ensino de Física da UFRGS. A experiência como Lead Editor do periódico Cultural Studies of Science Education (Springer) desde 2012 tem proporcionado a apropriação ampliada da perspectiva sociocultural na Educação em Ciências. A função de Editora Associada do periódico Caderno Brasileiro de Ensino de Física desde 2018 tem ampliado sua experiência de editoria e contribuído para a melhor identificação da revista com a área de Educação em Ciências.

Josiane Souza, Instituto Federal Sul-rio-grandense

Professora do Instituto Federal Sul-rio-grandense, possui doutorado (2020) e mestrado (2015) em Ensino de Física pelo Programa de Pós-Graduação em Ensino de Física do Instituto de Física da UFRGS. Graduada em Licenciatura em Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2012), foi bolsista de Iniciação Científica no projeto Observatório da Educação/CAPES. Vinculada à linha de pesquisa Formação de Professores, foi colaboradora no Projeto Observatório da Educação/CAPES e bolsista CAPES de 2012 a 2014. Durante a graduação, mestrado e doutorado se dedicou prioritariamente à perspectiva sociocultural do ensino através da análise discursiva Bakhtiniana.

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Publicado

2026-08-26

Como Citar

Ostermann , F., Rezende, F., & Souza, J. (2026). A educação cientificista do currículo STEM e possibilidades contra-hegemônicas. Caderno Brasileiro De Ensino De Física, 43(2), 229–238. https://doi.org/10.5007/2175-7941.2026.e114371

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