Treinar professores para aplicar a BNCC: as novas diretrizes e seu projeto mercadológico para a formação docente

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7941.2021.e84149

Palavras-chave:

Formação Docente, Diretrizes Curriculares Nacionais, BNC-Formação, Revisão de Literatura

Resumo

Neste trabalho discutimos as novas diretrizes curriculares nacionais de formação de professores, aprovadas em dezembro de 2019, por meio de revisão de literatura. Buscamos, a partir de trabalhos que analisaram essa legislação, traçar um panorama dos principais aspectos envolvidos nas críticas acerca dessa política de formação. Caracterizamos e problematizamos as diretrizes e o modelo formativo subjacente em torno de oito tópicos estruturantes que permitem compreender os princípios que os embasam, o contexto de produção, as narrativas estabelecidas para justificar o novo projeto formativo, a concepção de competências, o alinhamento à educação básica e a visão de prática e valorização docente. Sob esse olhar, nosso trabalho revela as principais discussões acerca do tema e alerta para graves retrocessos que recaem sobre a formação de professores. Defendemos que nossa tarefa ética e política, como professores e pesquisadores é lutar pela revogação dessas diretrizes.

Biografia do Autor

Diomar Caríssimo Selli Deconto, Instituto Federal do Rio Grande do Sul, Caxias do Sul, RS

É licenciado em Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2010) e mestre em Ensino de Física pela mesma universidade (2014). Atualmente é estudante de Doutorado em Ensino de Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e professor do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (Campus Caxias do Sul), atuando em cursos técnicos e de graduação. Tem se dedicado principalmente à área de formação de professores, ao estudo da perspectiva Ciência, Tecnologia e Sociedade e à abordagem sociocultural no ensino de Física.

Fernanda Ostermann, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

É Licenciada em Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e tem Mestrado e Doutorado na área de ensino de Física, ambos também pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. De 1989 a 1992, atuou como professora de Física na rede pública estadual de ensino de Porto Alegre. Por concurso público, ingressou como professora, em 1994, no Departamento de Física da UFRGS. Atualmente, ocupa o cargo de Professor Titular e é membro permanente do Programa de Pós-graduação em Ensino de Física. Sob sua orientação a tese intitulada Evasão do ensino superior de Física segundo a tradição disposicionalista em sociologia da educação foi agraciada com o Prêmio CAPES de Tese de 2014. No período de novembro de 2006 a fevereiro de 2010 foi coordenadora do PPG Ensino de Física e, atualmente, é vice-coordenadora (2016-2018). Foi vice-presidente da Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (ABRAPEC), de 2015 a 2017 e fez parte da Comissão Organizadora Nacional do XI ENPEC, realizado em Florianópolis, em julho de 2017. Atualmente é presidente da ABRAPEC (biênio 2017-2019). É também coeditora do Caderno Brasileiro de Ensino de Física, membro do Conselho Deliberativo do Instituto Latino-americano de Estudos Avançados – ILEA – e líder de grupo de pesquisa, atuando principalmente nos seguintes temas: perspectiva sociocultural no ensino de Física, formação de professores e ensino de Física Moderna e Contemporânea.

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Publicado

2021-12-15

Edição

Seção

Currículo de Ciências/Física