Genealogias
DOI:
https://doi.org/10.5007/1807-1384.2018v15n2p92Resumo
Com base em uma metodologia filosófico-narrativa, este artigo visa articular em todos seus aspectos o conceito de genealogia, assim como emergiu no debate feminista francês e italiano a partir dos anos 80 do 1900. Em particular, temos duas maneiras de interpretar o termo genealogia: a genealogia familiar e a genealogia histórico-política. O valor simbólico de qualquer genealogia não depende da dívida que contraímos com gerações anteriores de mulheres. Se fosse assim, a dívida seria o equivalente do crédito e estaríamos somente no mundo da troca econômica. Na realidade, a genealogia nasce de reconhecimento, de algo que talvez possamos interpretar como "conhecimento renovado", ou seja, uma maneira de reinventar os saberes que nos transmitiram as mulheres anteriores a nós e torná-los nossos. Nesse sentido, significa encontrar, no pensamento e na vida daquelas que vieram antes de nós, algo que de algum modo nos pertence, sem que o soubéssemos, porque não tínhamos as palavras que nos permitissem reconhecê-lo. Isso cria um círculo simbólico da genealogia, que não é o resultado de um ato de vontade, que intencionalmente nos coloca na esfera da genealogia. Mas é a intuição de que há algo de verdadeiro, que tem a ver conosco, nas mulheres que nos precederam e, sobretudo, de que entender isso sobre nós mesmas, nos coloca em movimento e transforma nossas vidas. Isso dá raízes à política feminina.
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