A “falácia” da invisibilidade feminina: vestígios de um discurso anacrônico
DOI:
https://doi.org/10.1590/1806-9584-2026v34n2110970Palavras-chave:
invisibilidade feminina, instituições de guarda e patrimônio, fundos e coleções, faláciaResumo
Este artigo tem como tema central a análise da pretensa justificativa de se considerar “falaciosa” a afirmação de que as mulheres foram invisibilizadas no que se refere a escolhas de patrimônio preservado em instituições de guarda. O objetivo central é demonstrar a diminuta existência de fundos, coleções e arquivos pertencentes a mulheres em relação aos mesmos guardados de patrimônio relativos aos homens. Para tanto, os procedimentos metodológicos referem-se a uma verificação no acervo constante de casas de guarda e instituições de patrimônio localizadas nas cidades do Rio de Janeiro e de Petrópolis, evidenciando os fundos de memória feminina em sua relação quantitativa com os fundos de memória masculina. Conclui-se com a desconstrução do discurso anacrônico de que se trata de uma “falácia” falar da invisibilidade feminina no patrimônio, corroborando-se a necessidade de estudos que possam obstaculizar argumentos sem base científica.
Downloads
Referências
AGUIAR, Jaqueline Vieira de. Cadernos de lições: a educação das princesas Isabel e Leopoldina nos paços imperiais (1850-1864). 2020. Tese (Doutorado em Programa de Pós-Graduação em Educação) - Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
AGUIAR, Jaqueline Vieira de.; VASCONCELOS, Maria Celi Chaves. A escrita epistolar como objeto de pesquisa: um estudo sobre as cartas das princesas brasileiras. Indagatio Didactica, v. 9, p. 113-127, 2017.
ANASTÁCIO, Vanda. Onde estão as mulheres? Um percurso didático pela história da literatura portuguesa. Convergência Lusíada, [S. l.], v. 33, n. 48, p. 12–38, 2022. Disponível em: https://convergencialusiada.com.br/rcl/article/view/513. Acesso em: 13 fev. 2024.
BIBLIOTECA NACIONAL (Brasil). Coleções especiais. Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro, 1984. 27p. p. 17-18.
BLADES, William. The enemies of books. 2ª ed. London Elliot Stock, 62, Paternoster Row, 1888. Disponível em: https://www.gutenberg.org/files/1302/1302-h/1302-h.htm. Acesso em 18/12/2024.
BOURDIEU, Pierre. A Dominação Masculina. Tradução de Maria Helena Kühner. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012.
CUNHA, Lygia da Fonseca Fernandes da. O acervo da Biblioteca Nacional. BIBLIOTECA NACIONAL (Brasil). Brasil 1900- 1910. Apresentação Plínio Doyle. Rio de Janeiro, 1980. v.2 (MSS-IMP-6,3,10).
CUNHA, Lygia da Fonseca Fernandes da. Subsídios para a história da Biblioteca Nacional. Anais da Biblioteca Nacional, 1981. Rio de Janeiro, v. 101, p. 101-123, [1981?]. BN Digital.
DAVIS, Angela; DENT, Gina; MEINERS, Erica; RICHIE, Beth. Abolicionismo. Feminismo. Já. Tradução de Raquel Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2023.
FRANCISCO, Ana Cristina Borges López Monteiro. A Condessa preceptora: entre o cotidiano nos paços imperiais e a construção do mito. 2017. Tese (Doutorado em Doutorado em Educação) - Universidade Católica de Petrópolis.
FRANCISCO, Ana Cristina Borges López Monteiro; VASCONCELOS, Maria Celi Chaves. Luiza, Isabel e Leopoldina: uma história de mulheres, nobreza e educação no Brasil Imperial (1856-1864). História da Educação, v. 22, p. 148-168, 2018.
GIDDENS, Anthony. A transformação da intimidade: sexualidade, amor e erotismo nas sociedades modernas. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, 1993.
HOOKS, Bell. E eu não sou uma mulher? Mulheres negras e feminismo. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2019.
LINO, Lucia A. da S.; HANNESCH, Ozana; AZEVEDO, Fabiano C. Política de preservação no gerenciamento de coleções especiais: um estudo de caso no Museu de Astronomia e Ciências Afins. (p. 59 – 75). In: Anais da Biblioteca Nacional, v. 123. Rio de Janeiro: FBN, 2007.
PEREZ, Eliane (Org.) Guia de coleções da Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro: FBN, 2018. Disponível em: https://www.gov.br/bn/pt-br/central-de-conteudos/producao/publicacoes/guia-colecoes-divisao-manuscritos-fbn. Acesso em 21 jan. 2024.
PERROT, Michelle. Os excluídos da história: operários, mulheres e prisioneiros. 3ª ed. Tradução de Denise Bottmann. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2001.
REBOLLO, María José & DOMINGUEZ, Pablo Álvarez. Women and educational heritage in Spanish university education museums: good practices and pending challenges for the incorporation of the gender perspective. Paedagogica Historica. International Journal of the History of Education. 04 Jun 2020. Disponível em: https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/00309230.2020.1769149. Acesso em: 05 jun. 2024.
RIAÑO, Peio H. Las invisibles ¿Por qué el Museo del Prado ignora a las mujeres? Madrid-Es: Capitán Swing Libros, 2020.
WOOLF, Virginia. Profissões para mulheres e outros artigos feministas. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2018.
Acervo online:
Biblioteca Digital da Fundação Biblioteca Nacional (BN): https://bndigital.bn.gov.br/sobre-a-bndigital/; https://acervo.bn.gov.br/sophia_web/Busca/Avancada.
Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC): https://cpdoc.fgv.br/sobre.
Fundação Casa de Rui Barbosa: http://acervos.casaruibarbosa.gov.br/.
Museu Casa de Benjamin Constant: https://museucasabenjaminconstant.museus.gov.br/.
Museu Histórico Nacional: https://mhn.museus.gov.br/index.php/o-museu/.
Museu Imperial: https://museuimperial.museus.gov.br/historico-e-personagens/.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Revista Estudos Feministas

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
A Revista Estudos Feministas está sob a licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0) que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento de autoria e publicação inicial neste periódico.
A licença permite:
Compartilhar (copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato) e/ou adaptar (remixar, transformar, e criar a partir do material) para qualquer fim, mesmo que comercial.
O licenciante não pode revogar estes direitos desde que os termos da licença sejam respeitados. Os termos são os seguintes:
Atribuição – Você deve dar o crédito apropriado, prover um link para a licença e indicar se foram feitas mudanças. Isso pode ser feito de várias formas sem, no entanto, sugerir que o licenciador (ou licenciante) tenha aprovado o uso em questão.
Sem restrições adicionais - Você não pode aplicar termos jurídicos ou medidas de caráter tecnológico que restrinjam legalmente outros de fazerem algo permitido pela licença.


