A Base Nacional Comum Curricular como revocalizadora de vozes dos Parâmetros Curriculares Nacionais: o currículo Ciência, Tecnologia e Sociedade na educação científica para os anos finais do Ensino Fundamental

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7941.2021.e75579

Palavras-chave:

Educação em Ciências, BNCC, PCN, Mineração de Texto

Resumo

Frente ao cenário de aprovação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para os anos finais do Ensino fundamental, consideramos relevante entender relações entre o discurso científico trazido como novo e os enunciados que já eram veiculados desde o século passado pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). Articulando a filosofia da linguagem do círculo de Bakhtin com a técnica de Text Mining, buscamos identificar e comparar perspectivas CTS veiculadas nos PCN e na BNCC, uma vez que são vozes alinhadas a uma perspectiva crítica de currículo para o Ensino e/ou Educação em Ciências, comprometida com a emancipação dos sujeitos. Observamos que enunciados da nova BNCC podem ser considerados revocalizadores dos enunciados dos PCN, uma vez que ambos os documentos, ainda que veiculem vozes oriundas do currículo CTS, acabam por não superar perspectivas alinhadas à neutralidade do conhecimento científico e tecnológico.  

Biografia do Autor

Estevão Antunes Júnior, Doutorando em Ensino de Física, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Licenciado em Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2015), mestre (2018) e doutorando em Ensino de Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com pesquisa associada à formação de professores e ao currículo na educação básica e na formação inicial e continuada de professores de Física. Participa do grupo de pesquisa "Ensino de Física sob a Perspectiva Sociocultural", sob a coordenação da Profª Drª Fernanda Ostermann.

Cláudio José de Holanda Cavalcanti, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Possui graduação em Bacharelado em Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1989), mestrado em Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1993) e doutorado em Física pela mesma universidade (2001). Por aprovação em concurso público, desde junho de 2006, é professor adjunto da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em regime de dedicação exclusiva. Tem experiência na área de Física, com ênfase em Modernização Curricular, atuando principalmente nos seguintes temas: inserção de tópicos de Física Moderna e Contemporânea no ensino médio, avaliações em larga escala, métodos mistos de pesquisa e outros temas relevantes em Ensino de Física.

Fernanda Ostermann, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Licenciada em Física (1987), tem Mestrado (1991) e Doutorado (2000) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. De 1989 a 1992, atuou como professora de Física na rede pública estadual de ensino de Porto Alegre. Por concurso público, ingressou, em 1994, no Departamento de Física da UFRGS. Atualmente, ocupa o cargo de Professora Titular e é membro permanente do Programa de Pós-graduação em Ensino de Física. Foi presidente da ABRAPEC (biênio 2017-2019). É Editora-chefe do Caderno Brasileiro de Ensino de Física e bolsista de produtividade em pesquisa nível 1B do CNPq.

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Publicado

2021-09-20

Edição

Seção

Currículo de Ciências/Física