Costurando a legislação: A Economia Doméstica nas escolas agrícolas do Paraná (século XX)
DOI:
https://doi.org/10.5007/1984-9222.2025.e107535Palavras-chave:
Economia Doméstica, Ensino Agrícola, ParanáResumo
Neste artigo, discutimos como o ensino agrícola brasileiro, sobretudo por meio da Economia Doméstica direcionada às mulheres, reforçou desigualdades de gênero e a divisão sexual do trabalho no campo no estado do Paraná. Analisamos criticamente legislações federais e estaduais que mencionam o ensino da Economia Doméstica, como o Decreto Federal no 8.319/1910, que criou as “Escolas Domésticas Agrícolas”, e o Regulamento das Escolas de Trabalhadores Rurais do Paraná, de 1939, além de jornais do estado (Diário do Paraná). Demonstramos, por meio dessas fontes, que as políticas educacionais direcionavam meninas a papéis domésticos e reprodutivos, enquanto meninos eram capacitados para atividades consideradas produtivas, reforçando estruturas patriarcais e capitalistas. O caso do Paraná nos mostra a aplicação regional dessas políticas, com currículos que naturalizavam a subordinação feminina, como o do Colégio Agrícola Augusto Ribas. Isso destaca a educação como instrumento de manutenção de poder, e se faz um tema crucial para compreender as dinâmicas de trabalho e vida camponesa na região.
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