Reforma agrária assistida pelo mercado e trabalhadores rurais no Brasil: resistência, divisão, apoio e acomodação (1995-2003)
DOI:
https://doi.org/10.5007/1984-9222.2025.e107827Palavras-chave:
Reforma Agrária, Crédito Fundiário, Banco MundialResumo
Este artigo analisa as disputas políticas em torno da implantação da reforma agrária assistida pelo mercado (RAAM) no Brasil, no período de 1995 a 2003. Mostra como o Banco Mundial (BM) se articulou ao Governo Federal para promover programas de financiamento à compra de terras negociadas entre trabalhadores rurais e proprietários como alternativa à reforma agrária por desapropriação, com o objetivo de esvaziar as ocupações de terra e os conflitos no campo. O trabalho evidencia quais forças sociais eram favoráveis e contrárias à RAAM e como se articularam politicamente para conseguir seus objetivos durante o governo de Fernando Henrique Cardoso e o primeiro ano do governo de Luís Inácio Lula da Silva. A abordagem centra-se na dimensão política dos processos sociais, com destaque para as ações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). O trabalho baseia-se na documentação do BM e do governo brasileiro, na cobertura feita pelo jornal Folha de São Paulo e em entrevistas feitas com agentes centrais.
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