A atualidade da obra La Noblesse d’État (1989) de Pierre Bourdieu e suas múltiplas facetas
DOI:
https://doi.org/10.5007/2175-795X.2021.e73026Resumo
Ao lembrar os trinta anos da obra La noblesse d’État: grandes écoles et esprit de corps de Pierre Bourdieu (1930-2002), publicada em 1989, quando a França comemora o bicentenário da sua Revolução ou, mais especificamente, os duzentos anos da Tomada da Bastilha (14 de julho de 1789) e da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (26 de julho de 1789), trouxemos para a discussão um volumoso estudo (ainda não traduzido para o português) que se constitui em mais uma das contribuições do sociólogo francês aos estudos sociológicos. Esta obra dá continuidade às análises precedentes, mobiliza grande parte do léxico bourdieusiano e introduz novas categorias de investigação e metodologias de análise que nos parecem pertinentes à pesquisa sobre o campo educacional brasileiro. De inspiração ao mesmo tempo construtivista e estruturalista, a obra desvela a complexa teia de relações entre o sistema de formação e o campo do poder. Nossa reflexão começa situando La noblesse d’État no carrefour de distintas sociologias: da educação, do conhecimento, do poder. Na sequência, analisamos a continuidade histórica que levou ao estreitamento do vínculo entre “nobreza escolar” e “nobreza de Estado”, a homologia estrutural entre formação universitária e reprodução das elites e a importância atribuída à desmistificação do “mito da democratização escolar”. Por último, destacamos dimensões críticas da obra que iluminam a reflexão sobre a pesquisa nas ciências humanas e sociais, num momento em que, no Brasil, se tenta pôr em xeque a pertinência dos estudos dessas áreas do conhecimento.
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