Uma Reflexão Inicial sobre o Processo de Tradução/Revisão de um Texto Produzido por uma pessoa Surda em Português Escrito - Versão Sintética em Libras

Autores

  • Christianne Câmara Lopes Albuquerque Miranda
  • José Luiz Vila Real Gonçalves
  • Carlos Henrique Rodrigues

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7968.2021.e85310

Palavras-chave:

Escrita de surdos em L2, Tradução, Revisão, Libras, Rastreamento Ocular, Esforço cognitivo

Resumo

Neste artigo, discute-se o processo de tradução/revisão de textos de pessoas surdas, produzidos em português escrito como segunda língua, por profissionais tradutores e intérpretes de Libras-português (TILSP), por um lado, e, por outro, por revisores que não dominam a Libras. A questão foi proposta a partir da constatação empírica de que a tradução/revisão de textos escritos por pessoas surdas, muitas vezes, é solicitada aos TILSP, os quais costumam não se considerar devidamente habilitados para essa tarefa. Diante disso, considerou-se relevante analisar como se dá a atuação de TILSP e de revisores durante o processo de tradução/revisão dos textos de surdos. Para tanto, utilizam-se os dados de rastreamento ocular (eye tracking) decorrentes de um experimento-exploratório conduzido com esses dois grupos. O objetivo foi verificar qual grupo de profissionais despenderia maior esforço cognitivo, refletindo-se sobre as características da atividade e suas possíveis implicações para o profissional que a executa. Por fim, concluiu-se que a atividade, ao ser desempenhada pelos tradutores e intérpretes ou pelos revisores, assume uma natureza distinta e, por sua vez, implica demandas cognitivas e comportamentais diferentes.

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Publicado

2021-12-24