Luta por terra no Engenho Pitanga (Pernambuco): conexões entre o social e o ambiental (1986-1993)
DOI:
https://doi.org/10.5007/1984-9222.2025.e102026Palabras clave:
Meio ambienteResumen
Esta pesquisa aborda conflitos por terra pós-ditadura no Engenho Pitanga, na zona canavieira de Pernambuco. Em fevereiro de 1986 e agosto de 1987, ocorreram duas ocupações nessa propriedade da Companhia de Tecidos Paulista (CTP), detentora da rede de lojas Casas Pernambucanas. Tensões e negociações se estenderam por oito anos, permeadas por ações de acampados(as) com apoio dos sindicatos rurais, sua Federação (Fetape) e a Igreja. A luta dos chamados “pitangueiros” tomou a capital Recife, promovendo a intensificação da disputa por terra e a redemocratização em curso ao reafirmar direitos civis e políticos. Marcava a radicalização da reforma agrária e constituía um espaço de sociabilidade e mobilização de organizações sociais e partidos políticos no contexto de relativa abertura. A segunda ocupação, em 1987, acentuou outro ponto de divergência e ameaçou pôr em xeque todo o processo de desapropriação e criação de assentamentos: a existência na localidade de extensas áreas de Mata Atlântica, cortadas por nascentes e cursos d’água. A ocorrência desse novo movimento contribuiu para reavivar o argumento em favor da preservação e aumentar a tensão e violência policial e de vigias privados da CTP já existentes na região.
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