Entre o Atlântico e o Índico: feminismos africanos, globalização e articulações Sul-Sul
DOI:
https://doi.org/10.1590/1806-9584-2026v34n1108862Palavras-chave:
feminismos africanos, gênero e colonialidade, globalização, Sul-Sul, MoçambiqueResumo
Neste artigo, analisamos os feminismos africanos a partir de uma perspectiva Sul-Sul, problematizando os impactos da globalização e do colonialismo na produção de conhecimento e na luta por direitos das mulheres. Com base em entrevistas com intelectuais e ativistas moçambicanas, o texto denuncia o racismo epistêmico e estereótipos que moldam a percepção sobre a África e suas produções teóricas. Ao discutir os efeitos históricos e contemporâneos do imperialismo, do patriarcado e da colonização do saber, as autoras articulam uma crítica à hegemonia eurocentrada nos estudos de gênero e propõem uma valorização das epistemologias africanas, dos saberes locais e da luta das mulheres. São apresentadas experiências de resistência feminista transnacional, redes de solidariedade, ativismo político e práticas de construção de direitos em contextos marcados por assimetrias sociais, culturais e econômicas. A articulação entre teoria e prática feminista no Sul Global é defendida como ferramenta essencial para a transformação das relações de poder e o reconhecimento das multiplicidades de vivências, subjetividades e formas de organização das mulheres africanas.
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