O morro dos estigmas: a construção social da categoria favela (Rio de Janeiro, 1889-1909)
DOI:
https://doi.org/10.5007/1984-9222.2026.e105252Palabras clave:
Favela, Trabalhadores, Morro da ProvidênciaResumen
A partir das últimas décadas do século XIX, quando o Rio de Janeiro atravessava um período de grande crescimento populacional, seus habitantes testemunharam a proliferação de um novo fenômeno urbano: a ocupação das encostas de seus morros por comunidades de trabalhadores, que ali se instalavam de forma precária – em fenômeno cujo exemplo mais visível era o Morro da Providência, conhecido, desde a década de 1890, como o Morro da Favela. Ainda que sua ocupação tenha se desenvolvido ao longo de todo o segundo reinado, a instituição da República viria a mudar sensivelmente a relação dos poderes públicos com tal localidade, em grande parte devido ao perfil social de seus moradores. Ao submetê-los a um intenso processo de estigmatização, as autoridades republicanas passavam a definir aquela comunidade como um espaço à parte da cidade, inventando a ideia de favela como uma mancha no projeto de modernidade urbana que pretendiam ver afirmado, enquanto seus habitantes lutavam para garantir seu direito à moradia. O objetivo deste artigo é analisar em que medida e de que forma as imagens do morro resultantes das experiências e disputas de seus moradores estão na base da definição da categoria “favela” afirmada ao longo do século XX.
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