Da tradução colaborativa de Masuo Yamaki e Paulo Colina dos tanka de Takuboku Ishikawa para o português
DOI:
https://doi.org/10.5007/2175-7968.2026.e105188Schlagworte:
tradução colaborativa, translaboração, Takuboku Ishikawa, cosmopolitismo crítico, tradução de poesiaAbstract
O texto discute questões acerca da tradução de poemas tanka de Takuboku Ishikawa (1886-1912) para o português, destacando as dinâmicas e as implicações de uma tradução realizada colaborativamente. A tradução em questão, Tankas ([1985]1988), foi realizada pelo nipo-brasileiro Masuo Yamaki (?-?), responsável pela versão mais voltada ao texto-fonte dos versos de Takuboku, e pelo poeta afro-brasileiro Paulo Colina (1950-1999), responsável pela modalização da primeira versão de Yamaki em nível de revisão, arranjo, adaptação e montagem. Argumenta-se que o processo de tradução colaborativa, enquanto translaboração, apesar de também compreender certos desbalanços de poder, enseja o emaranhamento de posições diversas que, juntas mesmo que em conflito, contribuem para a construção de algo que só é possível através desse processo coletivo. A proposta deste texto é, portanto, que a tradução de Yamaki e Colina dos poemas de Takuboku pode oferecer prenúncios de um cosmopolitismo crítico/dissidente que, através da translaboração, encontra (re)nova(da)s formas com que transformar (e, portanto, intensificar) a poética do autor japonês. Nesse processo, o benfazejo encontro de diferenças enseja a criação colaborativa (entre tradutores, mas também entre estes e o texto original) de algo novo e não a superação das respectivas diferenças.
Literaturhinweise
Alfer, A. (2017). Entering the Translab: Translation as Collaboration, Collaboration as Translation, and the Third Space of 'Translaboration'. Translation and Translanguaging in Multilingual Contexts, 3(3), 275–290. https://doi.org/10.1075/ttmc.3.3.01alf
Alfer, A. (2020). The Translaborative Case for a Translational Hermeneutics. Target, 32(2), 261–281. https://doi.org/10.1075/target.20105.alf
Almas, A., & Saito, C. N. I. (2018). Legado dos 110 anos da Imigração Japonesa para o Brasil: Haiku, Haikai, Videohaiku, Namahaiku e desdobramentos artístico-culturais. Encontros Lusófonos, 20, 28–40.
Appiah, K. A. (2006). Cosmopolitanism: Ethics in a World of Strangers. W. W. Norton and Company.
Baumgarten, S., & Cornellà-Detrell, J. (2017). Introduction. Target, 29(2), 193–200. https://doi.org/10.1075/target.29.2.001int
Bicalho, G. O. (2014). “Bastaria ao poema apenas a cor da minha pele”: imagens do arquivo literário afro-brasileiro de Paulo Colina. [Dissertação de mestrado]. Universidade Federal de Minas Gerais. http://hdl.handle.net/1843/ECAP-9K6GHG
Castilho-Junior, W. M. (2023). Edmundo Sussumu Fujita: o primeiro nipo-brasileiro no Itamaraty. Fundação Alexandre Gusmão.
Colina, P. (1987). A noite não pede licença. Roswitha Kempf.
Cordingley, A., & Manning, C. F. (2017). What Is Collaborative Translation? In A. Cordingley & C. F. Manning (Eds.), Collaborative Translation: From the Renaissance to the Digital Age (pp. 1–30). Bloomsbury.
Cunha, A. (2019). Introdução. In A. Cunha (Org.), Cem poemas de cem poetas: a mais querida antologia poética do Japão (A. Cunha, Trad.; pp. 13–40). Bestiário/Class.
Cunha, A. (2020). Introdução. In A. Cunha (Org.), Poemas do Japão antigo: seleções do Kokin’wakashû. (A. Cunha, Trad.; pp. 12–43). Bestiário/Class.
Dizdar, D., & Rozmyslowicz, T. (2023). Collectivities in Translation (Studies): Towards a conceptual Framework. Translation in Society, 2(1), 1–14. https://doi.org/10.1075/tris.23003.diz
Ertürk, N., & Serin. Ö. (2016). Marxism, Communism, and Translation: An Introduction. Boundary 2, 43(3), 1–26. https://doi.org/10.1215/01903659-3572526
Franchetti, P. (2008). O haicai no Brasil. Alea, 10(2), 256–269. https://doi.org/10.1590/S1517-106X2008000200007
Fundação Alexandre Gusmão. (2008). Ensaios sobre a herança cultural japonesa incorporada à sociedade brasileira. FUNAG.
Ishikawa, M. (2016). About Tanka. (D. Boyd, Trad.). Jung Journal, 10(1), 32–36. https://doi.org/10.1080/19342039.2016.1120610
Ishikawa, T. (1976). Un puñado de arena (A. C. García, Trad.). Hiperión.
Ishikawa, T. (1980a). Yumi-machi yori (Kûbeki shi). In T. Ishikawa, Ishikawa Takuboku zenshû, 4 (pp. 210–219). Chikuma shobô.
Ishikawa, T. (1980b). Uta no iroiro. In T. Ishikawa, Ishikawa Takuboku zenshû, 4 (pp. 294–300). Chikuma shobô.
Ishikawa, T. (1987). Trauriges Spielzeug: vollständige Übersetzung (L. Frank & T. Itoh, Trads.). Seino Printing.
Ishikawa, T. (1988). Tankas (3rd ed.; M. Yamaki & P. Colina, Trads.). Roswitha Kempf.
Ishikawa, T. (2000). Romaji Diary and Sad Toys (S. Goldstein & S. Shinoda, Trads.). Tuttle Pub.
Ishikawa, T. (2016). Une poignée de sable (Y.-M. Allioux, Trad.). Éditions Philippe Picquier.
Jatobá, J. R. (2025). Traduzindo a Índia: o projeto budista e a escola de tradução chinesa. Cadernos de Tradução, 45(esp. 1), 1–20. https://doi.org/10.5007/2175-7968.2025.e105427
Jasen, H., & Wegener, A. (2013). Multiple Translatorship. In H. Jansen & A. Wegener (Eds.), Authorial and Editorial Voices in Translation: Collaborative Relationships between Authors, Translators, and Performers, 2 (pp. 1–42). Éditions Québécoises de l’Oeuvre.
Jiménez-Crespo, M. A. (2017). Translation Crowdsourcing: Research Trends and Perspectives. In A. Cordingley & C. F. Manning (Eds.), Collaborative Translation: From the Renaissance to the Digital Age (pp. 192–211). Bloomsbury.
Kaneko, F. (2024). Antologia de poemas do cárcere (F. C. G. Pinto, Trad.). In F. C. G. Pinto, A terra do sol negro: a representação da melancolia em escritos carcerários japoneses, 2 (pp. 290–316). [Dissertação de mestrado]. Universidade de São Paulo. https://doi.org/10.11606/D.8.2024.tde-06112024-181510
Keene, D. (2016). The First Modern Japanese: The Life of Ishikawa Takuboku. Columbia University Press.
Lesser, J. (2008). Uma diáspora descontente: os nipo-brasileiros e os significados da militância étnica 1960-1980. Paz e Terra.
Masson, J.-Y. (2023). Traduzir a poesia (S. M. Santos, Trad.). Cadernos de Tradução, 43(1), 1–24. https://doi.org/10.5007/2175-7968.2023.e77919
Neather, R. (2019). Collaborative Translation. In M. Baker & Gabriela Saldanha (Eds.), Routledge Encyclopedia of Translation Studies (pp. 70–75). Routledge.
Neather, R. (2022). Collaborative Translation and the Transmission of Buddhism: Historical and Contemporary Perspectives. In H. Israel (Ed.), The Routledge Handbook of Translation and Religion (pp. 138–151). Routledge.
Neves, D. S. (2024). Notas sobre a produção poética de Paulo Colina. [Trabalho de conclusão de curso]. Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Nojiri, A. (1988). Os poemas tanca de Takuboku Ishikawa. In T. Ishikawa, Tankas. (M. Yamaki & P. Colina, Trads.). Roswitha Kempf.
Nunes, R. S. (2019). Do haikai japonês ao haicai brasileiro: interpretação e performance. Hon no mushi, 4(7), 123–132.
O’Brien, S. (2011). Collaborative Translations. In Y. Gambier & L. van Doorslaer (Eds.), Handbook of Translation Studies, 2 (pp. 17–20). John Benjamins. https://doi.org/10.1075/hts.2.col1
Pinto, F. C. G. (2023). O primeiro moderno japonês? Breve ensaio sobre uma possível modernidade em Ishikawa Takuboku. In A. Bueno (Org.), Oriente 23: estudos japoneses (pp. 39–46). Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Pinto, F. C. G. (2024). Da interdependência entre a utilidade e a fruição em Yobiko to Kuchibue (1913), de Ishikawa Takuboku. In F. J. Pimenta & Y. J. Im (Orgs.), Estudos da Ásia, 4 (pp. 131–154). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.
Roig-Sanz, D. (2022). Global Translation History: Some Theoretical and Methodological Insights. Translation in Society, 1(2), 131–156. https://doi.org/10.1075/tris.22010.roi
Saadat, S. (2017). Translaboration: Collaborative Translation to Challenge Hegemony. Translation and Translanguaging in Multilingual Contexts, 3(3), 349–369. https://doi.org/10.1075/ttmc.3.3.05saa
Salgado, M. R. T. S. (2013). A terceira voz: por uma poética da tradução. Outra Travessia, 15, 133–146. https://doi.org/10.5007/2176-8552.2013n15p133
Santiago, S. (2002). O cosmopolitismo do pobre. Margens: Revista de Cultura, 2, 4–13. http://dx.doi.org/10.17851/1677-244X.02.4-13
Schwimmer, M. (2017). Beyond Theory and Practice: Towards an Ethics of Translation. Ethics and Education, 12(1), 51–61. https://doi.org/10.1080/17449642.2016.1270727
Silva, D. C. P. (2018). A Estética Japonesa é uma Poética. Modernos & Contemporâneos – International Journal of Philosophy, 2(3), 13–36.
Taguchi, M. (2017). Ishikawa Takuboku ronkô: seinen, kokka, shizenshugi. Izumi shoin.
Takeda, S., Yokosato, H., Higa, M., Muraoka, T., & Yamada, M. (2004). Hyakunin isshu onsei no inritsuteki tokuchô no bunseki. Nihon onkyô gakkaishi, 60(8), 429–440. https://doi.org/10.20697/jasj.60.8_429
Tanaka, A. (2020). Hikokumin bungakuron. Seikyûsha.
Taniguti, G. T. (2015). Cotia: imigração, política e cultura. [Tese de doutorado]. Universidade de São Paulo. https://doi.org/10.11606/T.8.2015.tde-16072015-122819
Terasoma, M. (1984). Takuboku tanka no shirabe: ritsu no nijûsei wo megutte. Kôchidai kokubun, 15, 31–39.
Teresoma, M. (1993). Go-on ku no rizumu: sono kihan to itsudatsu. Onomichi tanki daigaku kenkyû kiyô, 42(1), 370–334.
Teresoma, M. (2006). Nihongo teikei shika no rizumu: “Tôji onritsu setsu” sairon. Okadai kokbun ronkô, 34, 51–29. http://doi.org/10.18926/okadaironkou/60095
Toida, H. H. (1987). Tsuji, um poema de Takuboku. Estudos Japoneses, 7, 21–30. https://doi.org/10.11606/issn.2447-7125.v7i0p21-30
Tov, E. (1999). The Greek and Hebrew Bible: Collected Essays on the Septuagint. BRILL.
van Doorslaer, L., & McMArtin, J. (2022). Where Translation Studies and the Social Meet: Setting the Scene for ‘Translation in Society’. Translation in Society, 1(1), 1–14. https://doi.org/10.1075/tris.22002.van
Yamaki, M. (1988). Introdução. In T. Ishikawa, Tankas (M. Yamaki & P. Colina, Trads.). Roswitha Kempf.
Yang, J. (2024). Mapping Crowdsourcing Translation in China: A Multidimensional Assessment of Yeeyan. Routledge. https://doi.org/10.4324/9781003385639
Zwischenberger, C. (2020). Translaboration: Exploring Collaboration in Translation and Translation in Collaboration. Target, 32(1), 173–190. https://doi.org/10.1075/target.20106.zwi
Zwischenberger, C., & Alfer, A. (2022). Translaboration: Translation and labour. Translation in Society, 1(2), 200–223. https://doi.org/10.1075/tris.21016.zwi
Downloads
Veröffentlicht
Zitationsvorschlag
Ausgabe
Rubrik
Lizenz
Copyright (c) 2026 Cadernos de Tradução

Dieses Werk steht unter der Lizenz Creative Commons Namensnennung 4.0 International.
Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro, com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista).


















































