Ecotradução das Amazônias Brasileira e da Guiana Francesa
DOI :
https://doi.org/10.5007/2175-7968.2026.e114954Mots-clés :
Ecotradução, Jules Crevaux, Tradução de relatos de viagem, Oaipoque, Guiana francesaRésumé
O explorador, médico e geógrafo francês Jules Crevaux (1847-1882) registrou em relatos as expedições que empreendeu nas Amazônias francesa e brasileira, descrevendo a geografia, os povos, costumes e percalços enfrentados. Neste artigo, comentamos as decisões tradutórias ao verter para o português brasileiro os capítulos I a IV da segunda parte do seu livro Voyages dans l’Amérique du Sud, publicado em 1883, trecho intitulado “De Cayenne aux Andes (1878-1879): Exploration de l’Oyapock, du Parou, de l’Iça et du Yapura” (Crevaux, 1883). A obra trata da expedição de Crevaux entre os anos de 1878 e 1880, quando partiu de Caiena subindo o rio Oiapoque com destino aos Andes. Dentre as questões que comentamos, e que são pertinentes à tradução, estão os termos anacrônicos utilizados por Crevaux, o objetivo de deixar transparecer sua relação com o ambiente que percorria, o tratamento e pesquisa para tradução de antropônimos, topônimos, descrição dos povos originários (indígenas e marrons), da fauna e da flora. Essas escolhas tradutórias se deram sob a perspectiva da Ecotradução, que faz referência a todas as formas de pensamento e prática de tradução que se envolvem conscientemente nos desafios da mudança do meio ambiente induzida pelo homem (Cronin, 2017; Torres, 2023).
Références
Bakker, P. B., Gretenkort, T., & Parkvall, M. (2018). Dr. Crevaux’s Wayana-Carib Pidgin of the Guyanas: A Grammatical Sketch. Amerindia, 40, 169–217.
Barbosa, G. C. (2007). Os Aparai e Wayana e suas redes de intercâmbio. [Tese de Doutorado]. Universidade de São Paulo. https://doi.org/10.11606/T.8.2008.tde-27112009-104126
Berman, A. (2002). A prova do estrangeiro: cultura e tradução na Alemanha romântica: Herder, Goethe, Schlegel, Novalis, Humboldt, Schleiermacher, Hölderlin. (M. E. P. Chanut, Trad.). EDUSC.
Berman, A. (2013). A tradução e a letra ou o albergue do longínquo. (M.-H. C. Torres, M. Furlan & A. Guerini, Trads.). Copiart/PGET UFSC.
Bertoldo, H. C., Nácul, E. F., Cavalcante, B. R. L. J., Borges, I. V. V., Pol, G. F., Conceição, K. O., & Silva, N. R. (2024). Revisão sistemática: aplicabilidade do curare ao longo da história. Brazilian Journal of Health Review, 7(5), e74120. https://doi.org/10.34119/bjhrv7n5-585
Biblioteca Curt Nimuendajú. (n.d.). Coleção Nicolai. http://www.etnolinguistica.org/user:rnicolai
Bibliothèque Nationale de France. (2011). Apatou (dates inconnues) et Jules Crevaux (1847-1882). [Fotografia]. Gallica. https://www.bnf.fr/fr/mediatheque/apatou-dates-inconnues-et-jules-crevaux-1847-1882
Bibliothèque Nationale de France. (2012). Jules Nicolas Crevaux. [Fotografia]. Gallica. https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/btv1b84533450/f1.item#
Biotechno pour les profs. (2016). Dossier n°xx: Utilisation des fruits de palmiers de Guyane. https://www.biotechno.fr/IMG/pdf/v2.2.pdf
Bourroul, J. (2023, 25 de julho). Novo livro do Iepé conta a história do Senhor Geraldo Lod, o indígena da Guiana Francesa que fundou uma aldeia no Brasil. Instituto de Pesquisa e Formação Indígena. https://institutoiepe.org.br/2023/07/novo-livro-do-iepe-conta-a-historia-do-senhor-geraldo-lod-o-indigena-da-guiana-francesa-que-fundou-uma-aldeia-no-brasil/
Brasil. (2007). Caso do Povo Saramaka vs. Suriname. Corte Interamericana de Direitos Humanos. https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2016/04/cc1a1e511769096f84fb5effe768fe8c.pdf
Breton, R. (1999). Dictionnaire caraïbe-français. Karthala. (Obra original publicada em 1665). https://horizon.documentation.ird.fr/exl-doc/pleins_textes/pleins_textes_7/b_fdi_03_02/010017260.pdf
Carvalho, F. (2023). Wajãpi (Brazil, French Guiana) – Language Snapshot. Language Documentation and Description, 23(1), 5. https://doi.org/10.25894/ldd.333
Castro, E. (Org.). (2013). Artefatos e matérias-primas dos povos indígenas do Oiapoque. IEPE; Museu Kuahí. https://institutoiepe.org.br/wp-content/uploads/2020/07/Livro_Artefatos_materias-primas_Oiapoque-Iepe-lowest.pdf
Centre National de Ressources Textuelles et Lexicales (CNRTL). (n.d.). TLFi: Trésor de la langue Française informatisé. https://www.cnrtl.fr/definition/
Centro Nordestino de Informações sobre Plantas (CNIP). (n.d.). Embira. http://www.cnip.org.br/PFNMs/embira.html
Coudreau, M. O. (2023). Viagem ao Cuminá – 20 de abril a 7 de setembro de 1900. (M. H. C. Torres, Trad.). Editora Pública Dalcídio Jurandir.
Coudreau, M. O. (2024). Viagem ao Curuá – 20 de novembro de 1900 a 7 de março de 1901. (M. H. Torres & S. M. Santos, Trads.). Paka-tatu.
Coudreau, M. O. (2025). Viagem ao Mapuerá: 21 de abril a 24 de dezembro de 1901. (M. H. Torres & S. M. Santos, Trads.). Paka-tatu.
Crevaux, J. (1883). Voyages dans l'Amérique du Sud. Librairie Hachette & Cie. https://archive.org/details/voyagesdanslam00crevuoft/page/628/mode/2up
Cronin, M. (2017). Eco-Translation: Translation and Ecology in the Age of the Anthropocene. Routledge.
Cupsinski, A., Pereira, A. F., Santos, R. M., Guedes, Í. P., & Liebgott, R. A. (2017). Terra tradicionalmente ocupada, Direito originário e a inconstitucionalidade do Marco Temporal. Conselho Indigenista Missionário. https://cimi.org.br/2017/01/39202/
Damien, D., Tritsch, I., & Grenand, P. (2013). Construction et restructuration territoriale chez les Wayãpi et Teko de la commune de Camopi, Guyane française. Confins, (16). https://doi.org/10.4000/confins.7964
Earth Defenders Toolkit. (2020). Wayana: How the Wayana in Suriname created their own consultation protocol based on traditional laws and values. https://www.earthdefenderstoolkit.com/wp-content/uploads/2023/11/Wayana_6-feb23.pdf
Etno Museu Digital. (n.d.). Saramaka. https://www.etnomuseudigital.com.br/povo/saramaka/
Gallois, C. (2002). Wajãpi rena: roças, pátios e casas. Museu do Índio. https://acervo.socioambiental.org/sites/default/files/documents/wal00020.pdf
Gallois, D. T., & Grupioni, D. F. (2003). Povos Indígenas no Amapá e Norte do Pará: quem são, onde estão, como vivem e o que pensam? Instituto de Pesquisa e Formação em Educação Indígena.
Grenand, P., Grenand, F., Joubert, P., & Davy, D. (2017). Pour une histoire de la cartographie des territoires teko et wayãpi (Commune de Camopi, Guyane française). Revue d’Ethnoécologie, (11), 1–21. https://doi.org/10.4000/ethnoecologie.3007
Gruber, J. G. (2000). A arte gráfica Ticuna. In L. Vidal (Org.), Grafismo indígena: estudos de antropologia estética. Studio Nobel.
Hansen, J.-A.-A. (n.d.). Voyage du Dr Crevaux en Guyane et dans le bassin de l'Amazone 1878-1879: Oyapock, feuille 1. [Mapa]. Bibliothèque Numérique Manioc. http://www.manioc.org/images/FRA110220024i1
Iepé. (2018, 20 de fevereiro). Morre Geraldo Lod, patriarca dos Galibi Kali’na. Instituto de Pesquisa e Formação Indígena. https://institutoiepe.org.br/2018/02/morre-geraldo-lod-patriarca-dos-galibi-kalina/
Iepé. (n.d.). Povo Wajãpi. Instituto de Pesquisa e Formação Indígena. https://institutoiepe.org.br/areas-de-atuacao/povos-e-populacoes/povo-wajapi/
Karsten, H., Schmidt, C. W., & Duemmler, F. (1858). Florae Columbiae: terrarumque adiacentium specimina selecta in peregrinatione duodecim annorum observata (Vol. 1; 5ª ed.). https://www.biodiversitylibrary.org/page/2951881
Lemos, Pe. A. B. (1951). Pequeno Vocabulário Tupi-Português. Livraria São José.
Marin, R. E. A., Martins, C. C., & Almeida, A. W. B. (Orgs.). (2019). Cimarrones, Marrons, Quilombolas, Boni, Raizales, Garifunas e Palenqueros nas Américas. UEA Edições.
Mendonça, C. (2021). Pankará. Povos Indígenas do Brasil. https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Pankar%C3%A1
Merian, M. S. (1705). Metamorphosis insectorum Surinamensium. Gerard Valck. https://www.biodiversitylibrary.org/item/129308
Michaelis. (2025). Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa – Online.
Minority Rights Group. (2024). Maroons in Suriname. https://minorityrights.org/communities/maroons/
Morgado, P., & Coutinho, G. B. (2021). Wayana. Povos Indígenas do Brasil. https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Wayana
Mourthé, I., Muniz, C. C., & Rylands, A. B. (2015). Avaliação do Risco de Extinção de Ateles belzebuth (É. Geoffroy Saint-Hilaire, 1806) no Brasil. ICMBio.
Munduruku, D. (2017). Daniel Munduruku: “Eu não sou índio, não existem índios no Brasil”. Nonada.org. https://www.nonada.com.br/2017/11/daniel-munduruku-eu-nao-sou-indio-nao-existem-indios-no-brasil/
Odilla, F. (2019). Quem são os wajãpi, guardiões de terra cobiçada por garimpeiros ilegais e mineradoras. BBC News Brasil. https://www.bbc.com/portuguese/brasil-49152403
Olson, R. (1978). Dicionário por tópicos nas línguas Oiampi (Wajapĩ - Português). Sociedade Internacional de Linguística.
OpenStreetMap. (2025). Rio Cricou. [Mapa]. https://www.openstreetmap.org/#map=14/3.71001/-51.95340
Parque Estadual do Cantão. (2025). Amaioua guianensis. https://ulbra-to.br/cantao/2012/06/25/Amaioua-guianensis
Peuples Autochtones d’Abya Ayala. (2016). Guyane: Les Teko ou Emerillons. https://peuplesautochtones.wordpress.com/2021/07/08/guyane-les-teko-ou-emerillons/
Pinelli, N. (2023). Jequitiranaboia: prima da cigarra, essa esquisitona das matas tem cara de jacaré, cor de serpente e asas com olho de coruja. Portal do Butantan.
Pinto, L. M. S. (1832). Diccionario da lingua brasileira. Typographia de Silva. https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/5414
Pratt, M. L. (2008). Imperial Eyes: Travel Writing and Transculturation. Routledge.
Price, S., & Price, R. (2010). Maroons under Assault in Suriname and French Guiana. Cultural Survival.
Ricardo, C. A. (1983). Povos Indígenas no Brasil 3: Amapá/Norte do Pará. CEDI.
Rose, F. (2008). A Typological Overview of Emerillon, a Tupi-Guarani Language from French Guiana. Linguistic Typology, 12(3), 431–460. https://doi.org/10.1515/LITY.2008.044
Santos, G. M. F., Cunha, E. B., Galiby, K. A. L. M., Jeanjacque, E. S. S., Gabriel, D. C., Silva, N. S. L., & Jeanjacques, V. R. S. (2022). Uma ação cooperativa e interdisciplinar para retomada da língua Kali’na. Com Ciência. https://www.comciencia.br/uma-acao-cooperativa-e-interdisciplinar-para-retomada-da-lingua-kalina/
Schoepf, D. (1972). Historique et situation actuelle des indiens Wayana-Aparai du Brésil. Bulletin Annuel du Musée d’Ethnographie, (15), 33–64.
Secco, R. S., Campos, J. M., & Hiura, A. L. (2014). Taxonomia atualizada de Amanoa (Phyllanthaceae) no Brasil. Acta Amazonica, 44(1), 25–43. https://doi.org/10.1590/s0044-59672014000100004
Secretaria de Estado de Infraestrutura do Amazonas (Seinfra AM). (2022). Diagnóstico Ambiental: Meio Biológico. Seinfra.
Shanley, P., & Medina, G. (2005). Frutíferas e Plantas Úteis na Vida Amazônica. CIFOR. https://www.fca.unesp.br/Home/Extensao/GrupoTimbo/frutiferas.pdf
Silva, L. R. (2018). Não me chame de mulata: uma reflexão sobre a tradução em literatura afrodescendente no Brasil no par de línguas Espanhol-Português. Trabalhos em Linguística Aplicada, 57(1), 71–88. https://doi.org/10.1590/010318138651618354781
Silva, S. V. (2013). Cerol e Mani. In E. Castro (Org.), Artefatos e matérias-primas dos povos indígenas do Oiapoque (p. 49). Iepé.
Silveira, N. (n.d.). Índios, Indígenas e Povos Originários. Biblioteca Nacional Digital. https://bndigital.bn.gov.br/dossies/povos-originarios/indios-indigenas-e-povos-originarios/
Sindicato Unificado da Orla Portuária do Espírito Santo. (2025). Dicionário Portuário. https://www.suport-es.org.br/letraa2.asp
Terra Indígena Galibi. (n.d.). Terras Indígenas no Brasil. https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3669
Torres, M.-H. (2023). Ecoteorias, ecotradução e (re)descoberta dos relatos de viagem na e sobre a Amazônia. Rassegna Iberistica, 46(120), 217–234. https://doi.org/10.30687/Ri/2037-6588/2023/21/004
Torres, M. H. C., Fiera, L., Thomé, B. B., & Campos, M. F. R. (2024a). Jules Crevaux e a exploração da região do Rio Jari no século XIX: povos e cultura. Cadernos de Tradução, 44(esp. 4), 1–15. https://doi.org/10.5007/2175-7968.2024.e104184
Torres, M. H. C., Fiera, L., Thomé, B. B., & Campos, M. F. R. (2024b). Viagem de exploração no interior da Guiana, pelo doutor Jules Crevaux, médico de primeira classe da marinha francesa (1876-1877). Cadernos de Tradução, 44(esp. 4), 1–40. https://doi.org/10.5007/2175-7968.2024.e104186
Vidal, L. (2024). Galibi Kali'na. Povos Indígenas do Brasil. https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Galibi_Kali%27na
Vidal, L. (2021). Galibi Marworno. Povos Indígenas do Brasil. https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Galibi_Marworno
Vidal, L. (2023). Narrativas e memória de um chefe Galibi do Oiapoque: récits et Mémoire d’um chef Galibi do Oiapoque. Iepé.
Videira, P. L., Vasconcelos, J. G., & Vieira, E. F. (2021). Arte Tembe, iconografia das etnias Saramaca, Boni, N’Djuka e Paramaka-Kourou – Guiana Francesa e Suriname. Cocar, 15(32).
Vidigal, L. (2019, 30 de agosto). Na ‘Amazônia francesa’, parque ocupa quase metade do território e garimpo é maior ameaça ambiental. G1. https://g1.globo.com/mundo/noticia/2019/08/30/na-amazonia-francesa-parque-ocupa-quase-metade-do-territorio-e-garimpo-e-maior-ameaca-ambiental.ghtml
Téléchargements
Publiée
Comment citer
Numéro
Rubrique
Licence
© Cadernos de Tradução 2026

Ce travail est disponible sous la licence Creative Commons Attribution 4.0 International .
Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro, com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista).

















































